Responsabilidade Social • 15:11h • 20 de março de 2026
Falhas na identificação fazem 4 em cada 10 embalagens irem para aterros
Levantamento revela gargalos na reciclagem e destaca desafios com materiais complexos no Brasil
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da AMZS Assessoria | Foto: Divulgação
Um estudo técnico revelou que cerca de 40% das embalagens que chegam às cooperativas de reciclagem no Brasil acabam sendo descartadas novamente em aterros sanitários. O principal motivo é a dificuldade de identificação e processamento desses materiais.
A análise foi realizada pela startup Yattó, especializada em economia circular e logística reversa, e evidencia um dos principais gargalos da reciclagem no país.
Baixa taxa de reaproveitamento
O Brasil gera mais de 80 milhões de toneladas de resíduos sólidos por ano, mas menos de 9% desse volume é efetivamente reciclado, segundo dados da Abrelpe.
Mesmo após a coleta, parte significativa dos materiais não consegue avançar no processo de reciclagem por limitações técnicas e comerciais.
Desafios com embalagens complexas
O estudo identificou que embalagens multicamadas, comuns em produtos como alimentos e rações, são um dos principais entraves. Esses materiais, geralmente classificados como “Outros” (Código 7), dificultam a separação e reduzem a possibilidade de reaproveitamento.
Em alguns casos, esse tipo de embalagem representa mais de 45% dos resíduos analisados em cooperativas. Outro problema apontado é a falta de identificação clara da composição das embalagens, o que compromete a triagem e a rastreabilidade.
Poliestireno também é obstáculo
O poliestireno (PS), utilizado em copos, potes e embalagens, também apresenta desafios. Enquanto versões brancas ou transparentes têm maior aceitação, o material colorido enfrenta restrições no mercado, principalmente por conta da pigmentação, que dificulta a reciclagem.
Risco de greenwashing
O estudo também chama atenção para a falta de rastreabilidade na cadeia de reciclagem, o que pode levar empresas a reportarem índices de reaproveitamento que não correspondem à realidade.
A ausência de controle sobre o destino final dos resíduos amplia o risco de práticas conhecidas como greenwashing, quando há divulgação de ações ambientais sem efetividade comprovada.
Economia circular como alternativa
Para enfrentar o problema, iniciativas buscam transformar resíduos complexos em novos produtos, como mobiliário e madeira plástica, gerando renda para cooperativas e reduzindo o volume destinado a aterros.
Esse modelo também se conecta a novas políticas públicas, como a Lei de Incentivo à Reciclagem, que estimula investimentos em projetos de economia circular.
Desafio estrutural
O levantamento reforça que o principal desafio da reciclagem no Brasil não está apenas na coleta, mas na capacidade de processamento e reaproveitamento dos materiais.
Sem avanços na indústria e maior clareza na identificação das embalagens, grande parte do esforço de reciclagem ainda se perde ao longo da cadeia.
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