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Política • 10:29h • 25 de agosto de 2026

Fazenda de cliques: entenda como perfis falsos podem influenciar debates durante as eleições

Estruturas podem controlar milhares de contas para aumentar artificialmente curtidas, comentários e compartilhamentos e fazer conteúdos alcançarem usuários reais

Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da EBC | Foto: Divulgação

O que são fazendas de cliques e por que elas preocupam durante o período eleitoral
O que são fazendas de cliques e por que elas preocupam durante o período eleitoral

As chamadas fazendas de cliques ou fazendas de bots voltaram ao centro das discussões sobre desinformação e interferência no debate político após a polícia da Bolívia encontrar uma estrutura do tipo em um endereço ligado ao consultor político argentino Fernando Cerimedo. O caso chama atenção para uma estratégia capaz de utilizar milhares de perfis falsos para criar artificialmente engajamento nas redes sociais.

Cerimedo, que atuou como estrategista digital de lideranças políticas latino-americanas, foi preso na Bolívia acusado de tentativa de feminicídio. A defesa nega envolvimento no crime. Durante buscas em endereço ligado ao argentino, autoridades bolivianas informaram ter encontrado uma “minigranja de bots”.

No Brasil, Cerimedo tornou-se conhecido após as eleições de 2022, quando questionou publicamente a lisura do processo eleitoral brasileiro sem apresentar provas.

Como funciona uma fazenda de cliques?

Bots são sistemas automatizados capazes de executar ações nas redes sociais, como publicar, curtir, comentar e compartilhar conteúdos. Quando muitas dessas contas são administradas de maneira coordenada, podem simular uma mobilização que aparenta ter surgido espontaneamente entre usuários.

“Muitas dessas contas repetem uma expressão e impulsionam uma hashtag, compartilham o mesmo conteúdo e interagem entre si em pouco espaço de tempo. Com isso, produzem artificialmente volume e velocidade nas redes sociais”, explica à Agência Brasil o pesquisador Reynaldo Aragon, do Núcleo de Estudos Estratégicos em Comunicação, Cognição e Computação.

O objetivo é aumentar rapidamente as métricas de determinada publicação, tema ou perfil. Como plataformas digitais tendem a ampliar a visibilidade de conteúdos que recebem mais interações, esse impulso inicial pode fazer a mensagem chegar posteriormente a pessoas reais.

As estruturas também podem ser utilizadas para promover ataques ou defesas coordenadas de candidatos, contas e assuntos específicos, segundo o cientista político Alexandre Arns Gonzales, membro do Direito à Comunicação e Democracia (DiraCom).

Engajamento artificial pode chegar a usuários reais

O alcance não necessariamente permanece restrito às contas automatizadas. Depois de ganhar volume artificialmente, uma publicação pode entrar na circulação comum das plataformas e começar a receber compartilhamentos e comentários de usuários reais.

Há registros internacionais de operações de grande escala. Em 2020, o Facebook removeu mais de 900 páginas e contas relacionadas a uma operação sediada na Tunísia e associada a tentativas de influência política em diferentes países africanos.

Meta e Google classificam práticas desse tipo como “comportamento inautêntico coordenado”, segundo Gonzales.

Eleições aumentam preocupação com esse tipo de operação

No Brasil, a discussão ganha relevância durante o período eleitoral. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) passou a exigir planos de conformidade das grandes plataformas digitais, mecanismo que, na avaliação de Gonzales, pode contribuir para identificar comportamentos artificiais relacionados ao processo eleitoral.

Sistemas utilizados por plataformas como Meta, Google e TikTok também podem detectar padrões associados a redes coordenadas de contas.

Aragon avalia, entretanto, que o enfrentamento dessas estruturas também depende de investigações capazes de identificar quem administra e financia as operações. Segundo o pesquisador, é provável que existam fazendas de cliques operando no Brasil.

Além de infraestrutura tecnológica, operações de maior porte podem exigir numerosos aparelhos, contas e pessoas envolvidas, o que demanda recursos financeiros e organização.

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