Economia • 20:31h • 26 de maio de 2026
Febre do álbum de figurinhas de 2026 pode ensinar crianças a lidar com dinheiro e consumo
Especialistas afirmam que coleção virou oportunidade para famílias trabalharem planejamento, limites de gastos e educação financeira dentro de casa
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Agência FR | Foto: Âncora1
A chegada do álbum de figurinhas da Copa de 2026 voltou a movimentar famílias brasileiras, reunir crianças em trocas de repetidas e reacender memórias afetivas entre pais, mães e filhos. Mas, além da diversão, especialistas em educação financeira afirmam que a tradicional febre dos álbuns também pode se transformar em uma ferramenta prática para ensinar crianças sobre planejamento, consumo consciente e organização do dinheiro.
O tema ganhou destaque após levantamento divulgado pela Rico apontar que pequenos gastos recorrentes com figurinhas podem gerar impacto relevante no orçamento familiar ao longo dos meses. Segundo a simulação apresentada pela instituição, a compra de apenas dois pacotinhos por dia durante três meses pode ultrapassar R$ 1.200 em despesas.
Embora o valor pareça pequeno em cada compra individual, o efeito acumulado chama atenção principalmente em períodos de forte apelo emocional e consumo impulsivo, como costuma ocorrer durante as Copas do Mundo.
Para a educadora financeira da Rico, Thaisa Durso, o álbum pode funcionar como uma experiência prática de aprendizado para crianças e adolescentes. “O álbum oferece lições lúdicas sobre paciência, troca justa e estratégia, tudo isso enquanto a garotada se diverte e faz novos amigos”, afirma.
Coleção pode ensinar limites e planejamento
Especialistas recomendam que famílias definam previamente limites de gastos logo no início da coleção, seja por quantidade de pacotes ou valor semanal destinado às compras.
A proposta é evitar que o entusiasmo com figurinhas raras e a pressão para completar rapidamente o álbum acabem estimulando compras impulsivas e descontrole financeiro.
Segundo Thaisa Durso, pequenas pausas antes de novas compras ajudam crianças a compreender melhor o valor do dinheiro e a importância da espera. “Muitas vezes, uma pequena pausa antes de comprar mais pacotes já ajuda a criança a entender que dá para continuar colecionando sem pressa, apreciando cada conquista”, explica.
Em famílias onde as crianças já recebem mesada, especialistas afirmam que o álbum também pode ajudar na construção de noções de prioridade, escolha e administração de recursos limitados.
Trocas ajudam a desenvolver negociação
Outro ponto destacado pelos especialistas é o papel das trocas de figurinhas no desenvolvimento de habilidades sociais e financeiras. Além de reduzir custos da coleção, encontros entre colecionadores estimulam negociação, argumentação, estratégia e noções de oferta e demanda de forma prática e acessível para crianças.
Guardar repetidas para trocar em vez de comprar mais pacotes passa a funcionar como exercício de planejamento e tomada de decisão. “Negociar ‘duas comuns por uma difícil’ vira exercício de argumentação e planejamento”, afirma a educadora financeira.
Segundo especialistas, a própria dinâmica da coleção também ajuda crianças a lidar com frustração, persistência e paciência, especialmente diante de figurinhas repetidas ou da demora para completar determinadas páginas do álbum.
Pequenos gastos podem crescer ao longo do tempo
O levantamento apresentado pela Rico também utiliza o álbum para explicar conceitos ligados aos juros compostos e ao impacto financeiro de pequenos gastos recorrentes.
Segundo a simulação, os mesmos R$ 1.200 gastos com figurinhas poderiam alcançar cerca de R$ 2.730 após dez anos se fossem aplicados em um investimento atrelado à Selic, considerando a média histórica da taxa.
Veja a comparação apresentada:
- Gasto imediato com figurinhas: R$ 1.200;
- Valor estimado investido após 1 ano: R$ 1.295,04;
- Valor estimado investido após 5 anos: R$ 1.793,07;
- Valor estimado investido após 10 anos: R$ 2.730,97.
Segundo Thaisa Durso, o objetivo não é transformar a coleção em vilã, mas usar a experiência como oportunidade de aprendizado financeiro dentro da rotina familiar. “Os juros compostos fariam esse dinheiro mais do que dobrar em uma década enquanto a quantia gasta nas figurinhas simplesmente não volta para o bolso da família”, afirma.
Ela reforça que planejamento e diversão podem caminhar juntos durante a coleção. “No fim das contas, ninguém precisa demonizar o álbum de figurinhas ou o futebol. A coleção pode se tornar uma das melhores ‘salas de aula’ de educação financeira que uma criança já frequentou, desde que haja acompanhamento e limites claros”, conclui.
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