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Economia • 14:41h • 18 de fevereiro de 2025

Fenae alerta para o aumento do vício em jogos de azar e suas consequências devastadoras

O crescimento das apostas online no Brasil aumenta os casos de compulsão, endividamento e consequências graves para a saúde mental da população. Especialistas alertam sobre os riscos

Da Redação | Com informações da Fenae | Foto: Divulgação

O crescente problema das apostas online no Brasil: saúde mental e finanças em risco
O crescente problema das apostas online no Brasil: saúde mental e finanças em risco

O Dia Mundial do Jogo Responsável, celebrado no mês de fevereiro, ganha cada vez mais relevância no Brasil devido ao aumento exponencial das apostas online. Em um cenário onde as plataformas de jogos estão disponíveis 24 horas por dia, o vício em apostas tem se tornado uma verdadeira preocupação de saúde pública no país. A Fenae, federação que representa os empregados da Caixa Econômica Federal, tem se posicionado sobre o impacto negativo desse comportamento compulsivo e seu efeito nas finanças, saúde mental e vida social dos brasileiros.

De acordo com a psiquiatra Renata Figueiredo, presidente da Associação Psiquiátrica de Brasília (APBr), o vício em jogos de azar está crescendo rapidamente, especialmente nas plataformas online. "A facilidade de acesso e a falsa sensação de controle são fatores que contribuem para o aumento do vício. As pessoas acreditam que têm o poder de controlar os resultados, mas essa ilusão acaba criando um ciclo vicioso de perdas, que alimenta ainda mais a compulsão", explica.

A ludopatia, também conhecida como vício em jogos de azar, está agora entre as três dependências mais comuns no Brasil, ao lado do álcool e do tabaco. Esse transtorno tem sérias consequências financeiras, familiares e psicológicas, podendo levar a problemas como endividamento, isolamento social, stress extremo e até suicídio. A doença é oficialmente reconhecida pela Classificação Internacional de Doenças (CID-10) sob os códigos 10-Z72.6 e 10-F63.0, o que destaca a gravidade do problema.

Renata Figueiredo ainda alerta para os sinais de alerta da compulsão por jogos, que incluem a preocupação excessiva com apostas, aumento progressivo no valor apostado, tentativas frustradas de reduzir o hábito, e o uso do jogo como forma de lidar com sentimentos negativos como ansiedade ou depressão. "Muitas vezes, a pessoa só percebe a gravidade da situação quando já está completamente endividada, com conflitos familiares e sociais", destaca.

Além das consequências financeiras, o vício também tem um impacto significativo na saúde mental dos jogadores compulsivos. A alta incidência de depressão, ansiedade e outros distúrbios emocionais entre os jogadores compulsivos é alarmante, sem contar que o sedentarismo e o isolamento social frequentemente acompanham o comportamento vicioso.

Como tratar a compulsão por apostas? Renata Figueiredo explica que a conscientização sobre os riscos do jogo compulsivo é o primeiro passo fundamental para o tratamento. "É importante que o jogador reconheça o problema o quanto antes. O tratamento pode envolver terapia cognitivo-comportamental, que é eficaz na modificação dos padrões de pensamento e comportamento relacionados ao vício. Em casos associados a transtornos psiquiátricos, o uso de medicação também pode ser necessário", afirma.

O apoio da família e de uma rede de suporte também são cruciais para evitar recaídas. "Além disso, bloquear o acesso aos jogos e restringir o dinheiro disponível para o jogo pode ser um passo importante para combater o vício", acrescenta Figueiredo.

Por fim, a Fenae destaca a importância de abrir esse debate, especialmente entre os empregados da Caixa, alertando para os riscos do vício em jogos e enfatizando a necessidade de procurar ajuda especializada. "É fundamental que todos estejam atentos a esses sinais de alerta e que busquem apoio se necessário", conclui Sergio Takemoto, presidente da Fenae.

A luta contra o vício em apostas online está apenas começando, mas com mais conscientização e apoio, é possível superar esse problema.

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