Ciência e Tecnologia • 08:34h • 25 de julho de 2026
Ferramenta criada na Unesp é premiada por tornar a piscicultura mais eficiente e acessível
Tecnologia desenvolvida em incubadora da universidade monitora reservatórios em tempo real, reduz custos e pode beneficiar pequenos e médios produtores de peixes
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Unesp | Foto: Divulgação
Uma tecnologia desenvolvida na Incubadora Tecnológica Aquário de Ideias, da Unesp de Registro, conquistou o primeiro lugar na categoria Produção do Prêmio Inovação Aquícola 2026, durante a Aquishow, um dos principais eventos da aquicultura da América Latina. O equipamento, chamado Aqua-On Plus, foi criado para monitorar em tempo real as condições ambientais de viveiros e reservatórios utilizados na criação de peixes, oferecendo uma solução de menor custo para produtores.
Além da premiação do projeto, a própria incubadora da Faculdade de Ciências Agrárias do Vale do Ribeira também foi reconhecida na categoria Academia, voltada a iniciativas desenvolvidas por instituições de pesquisa.
Equipamento coleta dados ambientais e auxilia na tomada de decisões
O Aqua-On Plus realiza a coleta automatizada de informações limnológicas e meteorológicas, transmitindo os dados remotamente para auxiliar no acompanhamento da qualidade da água e da produção.
Segundo os pesquisadores, a proposta foi desenvolver uma ferramenta modular, adaptável a diferentes sistemas produtivos e financeiramente mais acessível para pequenos e médios produtores.

"Buscamos desenvolver uma solução mais alinhada à redução de custos do sistema, pensando principalmente nos pequenos e médios produtores", afirma a engenheira de pesca e doutoranda Brennda Cheretti, uma das idealizadoras do projeto.
Tecnologia passou por testes em diferentes ambientes
O projeto teve início em 2022 e recebeu apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e do governo federal.
Durante o desenvolvimento, o equipamento foi testado inicialmente em um tanque escavado na região do Vale do Ribeira. Em seguida, passou por avaliações em um reservatório de piscicultura em Chavantes (SP), permitindo verificar seu funcionamento em condições semelhantes às encontradas na produção comercial, incluindo mudanças climáticas e variações ambientais.
Segundo a equipe, a evolução do projeto elevou seu nível de maturidade tecnológica de TRL 2 para TRL 7, etapa em que a tecnologia já demonstra desempenho consistente em ambientes próximos da operação real.
Próximos passos incluem patente e chegada ao mercado
De acordo com o professor Érico Tadao Teramoto, coautor do projeto, a equipe pretende concluir os testes finais antes de solicitar o depósito da patente junto à Agência Unesp de Inovação (AUIN).
A expectativa é que, após essa etapa, a tecnologia possa ser licenciada para startups e empresas interessadas em sua produção e comercialização.
Quando estiver disponível no mercado, o equipamento poderá ser utilizado não apenas na piscicultura, mas também em sistemas de cultivo de camarões e moluscos.
Monitoramento em tempo real pode reduzir riscos na produção
Para o professor Guilherme Wolff Bueno, outro pesquisador envolvido no projeto, o monitoramento contínuo das condições ambientais representa um importante avanço para a aquicultura de precisão.
Segundo ele, o acesso a informações em tempo real permite que os produtores tomem decisões mais rápidas, reduzam riscos operacionais e aumentem a eficiência dos sistemas de cultivo.
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