Variedades • 11:09h • 22 de julho de 2026
Ficar sentado o dia todo pode comprometer sua mobilidade sem que você perceba
Com 31% dos adultos insuficientemente ativos no mundo, ortopedista explica como longos períodos sentado afetam músculos, articulações e a qualidade de vida
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da ATDC | Foto: Arquivo/Âncora1
O avanço do trabalho remoto e híbrido transformou a rotina de milhões de pessoas, mas também trouxe um desafio para a saúde. Permanecer muitas horas sentado, com pouca movimentação ao longo do dia, pode favorecer dores nas costas, no pescoço e nos ombros, além de comprometer gradualmente a força muscular e a mobilidade.
O alerta ganha ainda mais importância diante dos dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), publicados na revista The Lancet Global Health, que mostram que cerca de 1,8 bilhão de adultos, o equivalente a 31% da população mundial, não praticam atividade física suficiente para atender às recomendações mínimas de saúde.
Sedentarismo afeta o corpo mesmo antes do aparecimento da dor
Segundo o ortopedista Dr. Guilherme Morgado Runco, consultado pela Zimmer Biomet, o organismo foi desenvolvido para permanecer em movimento, e a falta de atividade compromete o funcionamento de músculos e articulações.
"O resultado pode ser um processo gradual de perda de condicionamento muscular, rigidez articular e sobrecarga de estruturas importantes para o movimento", explica o especialista.
Embora os riscos cardiovasculares do sedentarismo sejam amplamente conhecidos, os impactos sobre a saúde musculoesquelética ainda recebem menos atenção. Estudos recentes apontam que dores nas costas, na região cervical e nos ombros estão entre as principais queixas de profissionais que trabalham em home office, principalmente quando há longos períodos sentado e postos de trabalho ergonomicamente inadequados.
Perda de força acontece de forma silenciosa
De acordo com o médico, permanecer sentado por muito tempo reduz a ativação dos músculos responsáveis por estabilizar a coluna e proteger as articulações.
Em vez de distribuir adequadamente as cargas do corpo, essas estruturas passam a trabalhar menos, favorecendo desequilíbrios biomecânicos e aumentando a sobrecarga sobre pescoço, ombros, coluna lombar e quadris.
Além disso, o sedentarismo prolongado pode diminuir a circulação sanguínea, aumentar a rigidez das articulações e provocar perda de flexibilidade. Os sintomas costumam surgir de forma discreta, como sensação de peso nas pernas, desconforto nas costas ou dificuldade para permanecer em determinadas posições.
Segundo Dr. Runco, muitas pessoas acreditam que está tudo bem porque ainda não sentem dores intensas. No entanto, a perda de força muscular e de mobilidade ocorre de forma progressiva e costuma ser percebida apenas quando atividades simples passam a exigir mais esforço ou quando as dores se tornam frequentes.
Pequenas pausas podem fazer grande diferença
Especialistas destacam que combater os efeitos do sedentarismo não depende apenas da prática de exercícios físicos em academias.
Estudos indicam que a adoção de pausas ativas durante o expediente pode reduzir significativamente o tempo total de sedentarismo ao longo da semana, além de contribuir para diminuir dores musculoesqueléticas, fadiga e estresse, sem comprometer a produtividade.
Levantar entre reuniões, caminhar por alguns minutos, fazer alongamentos e variar a posição ao longo do dia são medidas simples que ajudam a reduzir a sobrecarga sobre músculos e articulações.
A OMS recomenda que adultos pratiquem pelo menos 150 minutos de atividade física moderada por semana, mas, para o especialista, preservar a mobilidade começa com hábitos cotidianos. Quanto mais cedo o movimento fizer parte da rotina, maiores são as chances de manter músculos e articulações saudáveis ao longo da vida.
Aviso legal
Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução, integral ou parcial, do conteúdo textual e das imagens deste site. Para mais informações sobre licenciamento de conteúdo, entre em contato conosco.
Últimas Notícias
As mais lidas do mês
Política
Lula ou Flávio Bolsonaro? Veja onde consultar propostas, histórico e informações antes de votar
Programas de governo em PDF, registros do Senado, despesas federais e plataformas de checagem permitem comparar os candidatos à Presidência com informações oficiais e documentos públicos