Gastronomia & Turismo • 12:15h • 18 de outubro de 2026
Fim da escala 6x1 pode elevar preços e provocar fechamento de bares e restaurantes, alerta Abrasel
Entidade critica aprovação da proposta no Senado e prevê aumento de custos, dificuldades de contratação e redução de serviços; projeções representam avaliação do setor empresarial
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Abrasel | Foto: Divulgação
A Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) criticou a aprovação, pelo Senado, da proposta de emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala de trabalho 6x1. Segundo o presidente-executivo da entidade, Paulo Solmucci, a redução dos dias trabalhados poderá provocar aumento de custos, dificuldades para contratar funcionários e mudanças no funcionamento de estabelecimentos comerciais. A avaliação foi apresentada pela associação, que classifica a medida como uma possível ameaça à atividade econômica.
De acordo com Solmucci, aproximadamente 15 milhões de brasileiros trabalham atualmente na escala de seis dias de serviço para um de descanso. Para manter o mesmo volume de atendimento após a redução da jornada, ele estima que seriam necessários outros 3 milhões de trabalhadores, contingente que considera difícil de encontrar no mercado.
No setor de alimentação fora do lar, a Abrasel prevê que parte dos bares e restaurantes poderá reduzir os dias de funcionamento diante da necessidade de ampliar equipes ou reorganizar turnos. A entidade também manifesta preocupação com atividades essenciais, como hospitais, que dependem de escalas contínuas.
Entidade prevê aumento de custos e impacto na inflação
Segundo o presidente da Abrasel, estabelecimentos que precisarem manter seis dias de atendimento poderão enfrentar aumento de aproximadamente 20% nos custos relacionados à reorganização do trabalho. Para condomínios residenciais, ele projeta elevação de 18% a 20% nas despesas necessárias para preservar os serviços atuais.
Esses percentuais são estimativas apresentadas pela entidade empresarial e não representam aumentos de preços já confirmados.
Solmucci argumenta que a elevação dos custos poderá ser repassada aos consumidores, reduzindo o poder de compra das famílias e afetando o próprio movimento de bares e restaurantes. Em sua avaliação, o cenário também poderia pressionar a inflação, os juros e a atividade econômica.
"A medida é tão ruim, tão ruim, que ela pode até ser boa, no sentido de que a sociedade vai rapidamente querer modificá-la", afirma.
Abrasel defende alternativa com trabalho por hora
Como alternativa ao fim da escala 6x1, Solmucci defende uma proposta de trabalho flexível, que permitiria ao trabalhador optar entre o regime tradicional da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e a remuneração por hora.
Na avaliação do dirigente, esse modelo permitiria maior liberdade na organização dos horários e poderia ampliar a renda dos profissionais. Ele afirma que, no setor de bares e restaurantes, a remuneração por hora chega a ser de 30% a 40% superior à dos mensalistas no Brasil e 60% maior nos Estados Unidos.
A Abrasel considera que a mudança na escala, sem alternativas de flexibilização, poderá incentivar empresas e trabalhadores a buscar outros modelos de contratação.
As consequências econômicas apontadas pela associação, entretanto, são projeções de seu presidente-executivo. O release não apresenta estudos independentes que comprovem os percentuais estimados ou demonstrem que os impactos previstos necessariamente ocorrerão.
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