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Economia • 13:08h • 25 de setembro de 2026

Florestas brasileiras movimentam R$ 47,9 bilhões e atingem maior valor da história

Dados do IBGE mostram crescimento de 6,7% em 2025, com avanço das florestas plantadas e queda na extração vegetal; setor ocupa área maior que Pernambuco

Da Redação | Com informações da EBC | Foto: Divulgação

Produção florestal brasileira bate recorde de R$ 47,9 bilhões, impulsionada pelo eucalipto e pela celulose
Produção florestal brasileira bate recorde de R$ 47,9 bilhões, impulsionada pelo eucalipto e pela celulose

A produção florestal brasileira alcançou o recorde de R$ 47,9 bilhões em 2025, crescimento de 6,7% em relação ao ano anterior. Os dados foram divulgados na quinta-feira (24) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), por meio da pesquisa Produção da Extração Vegetal e da Silvicultura. O resultado foi impulsionado pelas florestas plantadas, especialmente pelo cultivo de eucalipto destinado à indústria de celulose, enquanto a exploração de vegetação nativa apresentou queda.

A silvicultura, atividade desenvolvida em áreas plantadas, movimentou R$ 41 bilhões, alta de 8,6% em um ano. Já o extrativismo vegetal, que utiliza recursos de florestas naturais, recuou 3,1%, encerrando 2025 com R$ 6,9 bilhões. Com isso, as florestas cultivadas passaram a responder por 85,6% de todo o valor da produção florestal brasileira, enquanto a extração vegetal representou 14,4%.

Desde 2019, o valor econômico da silvicultura cresceu 165%, avanço associado pelo IBGE ao desenvolvimento tecnológico do setor. A área de florestas plantadas chegou a 10,4 milhões de hectares em 2025, o equivalente a 104 mil quilômetros quadrados, extensão superior à do estado de Pernambuco.

Eucalipto domina as plantações e sustenta produção de celulose

O eucalipto ocupa 78,6% das áreas de florestas plantadas no Brasil. Seu crescimento relativamente rápido, com ciclos de aproximadamente sete a oito anos, favorece o abastecimento da indústria de celulose, matéria-prima utilizada principalmente na fabricação de papel.

O Brasil ocupa desde 2022 a posição de maior produtor e exportador mundial de celulose, quando ultrapassou o Canadá. Segundo o IBGE, a produtividade brasileira resulta da combinação entre avanços tecnológicos, condições favoráveis de clima e solo e investimentos em práticas sustentáveis.

Em 2025, a produção nacional de celulose chegou a 22,2 milhões de toneladas, aumento de 12,7% em relação a 2024. Apesar do crescimento no volume, a receita com exportações caiu 3,9%, totalizando US$ 10,2 bilhões.

O recuo foi provocado pela redução dos preços internacionais, atribuída pelo IBGE ao excesso de oferta mundial, à desaceleração do consumo chinês, ao aumento dos estoques e à valorização do real. Mesmo com a queda na receita, a celulose permaneceu como o oitavo produto mais exportado pelo Brasil. Petróleo, soja e minério de ferro ocuparam as três primeiras posições.

Três Lagoas lidera produção municipal e Minas Gerais se destaca entre os estados

A pesquisa identificou atividade florestal em 4.889 municípios brasileiros. Três Lagoas, no leste de Mato Grosso do Sul, registrou o maior valor de produção, com R$ 1,8 bilhão em 2025. O resultado representa crescimento de 216,3% em relação ao ano anterior, em uma cidade que abriga unidades industriais das produtoras de celulose Suzano e Eldorado.

Entre os estados, Minas Gerais liderou a silvicultura, com produção avaliada em R$ 9,2 bilhões, correspondente a 22,5% do total nacional. O estado também concentra 84,6% do carvão vegetal produzido no país.

Açaí e erva-mate movimentam a economia das florestas naturais

Além da madeira e da celulose, a pesquisa do IBGE identificou R$ 2,2 bilhões em produtos alimentícios provenientes da extração vegetal. O açaí respondeu por metade desse valor, com produção de 251 mil toneladas. O Pará concentrou 66,7% do volume nacional.

A erva-mate também teve participação expressiva entre os produtos não madeireiros, com valor de produção de R$ 562,3 milhões. O Paraná respondeu por 88,4% de toda a erva-mate extraída no Brasil.

Os valores apresentados pelo IBGE são nominais, referentes aos preços registrados em cada ano da pesquisa, sem descontar os efeitos da inflação.

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