Variedades • 12:36h • 21 de janeiro de 2026
Fome, impulso ou transtorno? Como identificar o que está por trás da sua alimentação
Especialistas explicam os tipos de fome, os sinais de alerta e quando buscar ajuda para emagrecer com saúde e consciência
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Medellin Assessoria | Foto: Divulgação
Passada a temporada de festas, o início do ano costuma vir acompanhado de novas metas, entre elas o emagrecimento saudável. Em um cenário em que a obesidade avança no Brasil, com 31% da população adulta vivendo com a condição e 68% apresentando excesso de peso, segundo o Atlas Mundial da Obesidade 2025, compreender a relação com a comida se torna fundamental. Afinal, quando estamos diante da fome real, da gula ou de um transtorno alimentar? Especialistas do Instituto Sallet ajudam a esclarecer essas diferenças.
Hábito ou necessidade?
Distinguir a fome fisiológica da gula e da compulsão alimentar nem sempre é simples. De acordo com a Organização Mundial da Saúde, a fome é um sinal fisiológico do corpo que indica a necessidade de alimento para obtenção de energia e nutrientes. Ela pode se manifestar por sintomas como fraqueza, dores abdominais, irritabilidade ou dificuldade de concentração.
Segundo a nutricionista do Instituto Sallet, Ana Beatriz Guiesser, nem toda fome está ligada a uma necessidade biológica. “A fome emocional, por exemplo, nos leva a buscar alimentos mais calóricos, como doces e frituras, funcionando como um mecanismo de recompensa para o cérebro. Em momentos de tristeza, estresse ou ansiedade, é comum recorrer a esses alimentos”, explica.
Outro tipo frequente é a fome social, influenciada pelo ambiente. “Em festas, encontros com amigos ou reuniões, muitas vezes comemos por impulso, mesmo sem fome. O primeiro passo para mudar esse padrão é reconhecer os diferentes tipos de fome e observar o próprio comportamento”, complementa a especialista.
Uma estratégia importante é priorizar alimentos nutricionalmente mais completos, que contribuem para maior saciedade e reduzem o consumo exagerado. A orientação é dar preferência a alimentos naturais ou minimamente processados, conforme recomenda o Guia Alimentar para a População Brasileira, do Ministério da Saúde, que também destaca que a alimentação envolve aspectos culturais, sociais e comportamentais, e não apenas a ingestão de nutrientes.
Gula ou compulsão alimentar?
Para diferenciar a gula da compulsão alimentar, é fundamental observar a frequência e a intensidade dos episódios. Comer sobremesa ou repetir a refeição ocasionalmente, mesmo após estar saciado, pode ser caracterizado como um episódio de gula. Trata-se de um comportamento impulsivo, associado ao prazer, sem definição clínica formal.
Já a compulsão alimentar envolve o consumo de grandes quantidades de comida em um curto período de tempo, geralmente acompanhado da sensação de perda de controle, além de sofrimento emocional, culpa e desconforto físico após os episódios.
O especialista em obesidade e doenças metabólicas do Instituto Sallet, José Afonso Sallet, destaca que esses casos exigem acompanhamento especializado. “Na obesidade grave, cerca de 30% dos pacientes apresentam transtorno de compulsão alimentar. O acompanhamento psicológico e psiquiátrico é indispensável para o diagnóstico correto, definição do tratamento e, quando indicado, a prescrição de medicamentos associada à psicoterapia”, afirma.
O médico reforça que o suporte multiprofissional é decisivo para mudanças consistentes. “O trabalho integrado entre médicos, nutricionistas, psicólogos, endocrinologistas e profissionais de atividade física é essencial não apenas para a perda de peso, mas principalmente para a manutenção dos resultados a longo prazo”, conclui.
Entender se a alimentação está sendo guiada pela necessidade, pelo impulso ou por um transtorno é um passo importante para virar a chave em 2026 e construir uma relação mais saudável, consciente e sustentável com a comida.
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