Economia • 12:31h • 04 de junho de 2026
Férias de julho podem pesar no bolso até 2027 sem planejamento financeiro
Dólar alto, compras por impulso e parcelamentos longos transformam viagens internacionais em risco silencioso para muitas famílias
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Lara Assessoria | Foto: Arquivo/Âncora1
Julho se aproxima e, junto com as férias escolares, cresce também o número de famílias brasileiras planejando viagens internacionais, especialmente para destinos como Orlando, nos Estados Unidos. Mas, enquanto muita gente foca apenas nas passagens, hotéis e parques, especialistas alertam para um problema que costuma aparecer só depois do retorno: o impacto financeiro prolongado no orçamento.
Com o dólar pressionando os custos no exterior, despesas com alimentação, transporte, ingressos, compras e uso do cartão internacional podem transformar poucos dias de lazer em meses de aperto financeiro quando a viagem acontece sem planejamento adequado.
Segundo Ricardo Hiraki Maila, especialista em educação financeira e sócio fundador da Plano Fintech, um dos erros mais comuns está em analisar apenas o valor das parcelas sem considerar o custo total da viagem.
“A viagem começa muito antes do embarque. Quando a família parcela sem entender o impacto completo da decisão, as férias podem continuar pesando no orçamento por muito tempo”, explica Ricardo.
Gastos invisíveis costumam ser os mais perigosos
Além das passagens e da hospedagem, existem despesas que muitas vezes passam despercebidas durante o planejamento inicial. Alimentação diária, transporte local, taxas internacionais, IOF, compras por impulso e oscilações do dólar acabam aumentando significativamente o custo final da viagem.
Segundo Ricardo, o problema costuma surgir justamente porque muitas famílias fazem contas apenas com base no pacote principal e ignoram os gastos do dia a dia no exterior.
Outro ponto de atenção envolve o uso do cartão de crédito internacional. Em muitos casos, a percepção de gasto diminui durante a viagem, principalmente por causa da conversão cambial e do parcelamento, o que pode gerar impacto maior na fatura depois do retorno ao Brasil.
Parcelas pequenas podem esconder problema maior
Especialistas alertam que decisões tomadas apenas pelo valor da parcela podem criar uma falsa sensação de segurança financeira. Muitas vezes, o pagamento da viagem acaba sendo somado a compras parceladas, financiamentos e outras despesas já existentes no orçamento familiar.
Segundo Ricardo, isso pode provocar um efeito silencioso de endividamento que só aparece nos meses seguintes à viagem, quando diferentes compromissos financeiros começam a se acumular.
Por isso, a recomendação é tratar viagens internacionais como um planejamento financeiro completo, com limites claros de gastos, reserva para imprevistos e acompanhamento do câmbio antes do embarque.
Planejamento ajuda a evitar aperto no retorno
Mesmo para quem já decidiu viajar em julho, especialistas afirmam que ainda é possível reduzir impactos financeiros com organização e controle dos gastos durante a viagem.
A orientação é evitar compras por impulso, acompanhar a cotação do dólar, antecipar parte dos pagamentos ainda no Brasil e não depender exclusivamente do cartão de crédito no exterior.
Ricardo reforça que viajar e criar experiências em família é importante, mas a decisão precisa acontecer dentro da realidade financeira de cada orçamento. “O objetivo é que a viagem deixe boas lembranças, e não preocupação financeira nos meses seguintes”, conclui.
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