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Gastronomia & Turismo • 12:35h • 01 de janeiro de 2026

Férias exigem atenção redobrada à alimentação infantil e ao consumo de ultraprocessados

Especialista alerta que excesso de produtos industrializados nas férias impacta hábitos alimentares desde a primeira infância

Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Betini Comunicação | Foto: Divulgação

Férias aumentam consumo de ultraprocessados e exigem atenção à alimentação infantil
Férias aumentam consumo de ultraprocessados e exigem atenção à alimentação infantil

O período de férias costuma alterar a rotina das famílias e, com isso, a alimentação das crianças também muda. Sem o horário regular das aulas, cresce o consumo de lanches rápidos, doces e produtos prontos. Dados do Estudo Nacional de Alimentação e Nutrição Infantil (Enani) mostram que, entre crianças de seis meses a dois anos, 20,5% do cardápio já é composto por alimentos ultraprocessados, ricos em gordura, açúcar, sódio e aditivos químicos. Durante as férias, esse cenário tende a se intensificar.

Entre os itens mais consumidos nessa faixa etária estão biscoitos, doces e farinhas instantâneas, produtos que interferem diretamente na formação do paladar e nos hábitos alimentares ao longo da vida. Para a nutricionista Cynthia Howlett, especialista em nutrição esportiva e psiconutrição e coordenadora de Projetos Educacionais e Sustentáveis da Sanutrin, o alerta é claro: férias não significam pausa nos cuidados com a alimentação.

Segundo a especialista, o papel das escolas na formação alimentar das crianças mudou de forma significativa nas últimas décadas. “Antigamente, a escola oferecia apenas um lanche. Hoje, muitas crianças fazem dois lanches e almoçam na escola. Com menos tempo disponível, os pais acabam transferindo parte dessa responsabilidade para a instituição de ensino”, explica.

Esse novo contexto fez com que a alimentação escolar ganhasse uma dimensão mais estratégica. A gestão das cantinas deixou de ser apenas operacional e passou a envolver educação nutricional, planejamento de cardápios equilibrados e acompanhamento profissional. Por isso, muitas escolas passaram a terceirizar esse serviço, contratando empresas especializadas.

De acordo com Cynthia, essa mudança também trouxe modernização e mais controle. “Além de qualificar a oferta de alimentos, essas empresas incorporaram tecnologia. Hoje, o sistema é informatizado, os pais colocam crédito, acompanham o consumo e têm mais segurança sobre o que o filho está comendo”, afirma.

Apesar desse avanço no ambiente escolar, o cuidado precisa continuar dentro de casa, especialmente durante as férias. É nesse período que as crianças passam mais tempo com a família e estão mais expostas a escolhas alimentares que podem reforçar ou prejudicar hábitos já em formação.

Como manter uma alimentação mais saudável nas férias

A nutricionista destaca algumas orientações simples que ajudam os pais a reduzir o consumo de ultraprocessados e fortalecer hábitos positivos em casa.

  • Dar o exemplo
    Crianças aprendem pelo comportamento. Comer junto, escolher os mesmos alimentos e mostrar prazer em refeições saudáveis é uma das formas mais eficazes de incentivo.
  • Tornar o momento prazeroso
    A alimentação não deve ser associada a pressão ou obrigação. Oficinas culinárias, piqueniques, visitas à feira e o contato direto com os alimentos ajudam a criar vínculo e curiosidade.
  • Evitar pressão
    Forçar a criança a comer pode gerar rejeição e trauma. O ideal é que a alimentação esteja associada a boas lembranças e emoções positivas, já que o comer também envolve afeto.
  • Reduzir ultraprocessados na introdução alimentar
    A oferta precoce de açúcar, gordura e produtos industrializados interfere no desenvolvimento do paladar e pode impactar os hábitos por toda a vida.
  • Prolongar a ausência do açúcar
    Evitar açúcar pelo menos até os dois anos é fundamental. Se possível, estender essa restrição até os quatro anos, priorizando alimentos naturais ou minimamente processados.

Para Cynthia Howlett, o período de férias pode ser uma oportunidade, e não um problema. “Quando família e escola atuam juntas, as crianças conseguem manter uma relação mais equilibrada com a comida, mesmo fora da rotina escolar. Alimentação saudável também se constrói no dia a dia, com pequenas escolhas”, conclui.

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