Saúde • 08:21h • 03 de julho de 2025
Frio intenso exige atenção: especialista da USP orienta sobre riscos e cuidados com a saúde
Paulo Saldiva diz que é uma época que merece atenção, principalmente em referência às doenças respiratórias e cardiovasculares que tendem a aumentar e atingir os mais vulneráveis
Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência SP | Foto: Arquivo Âncora1
O frio enfraquece o sistema de defesa do organismo e o resultado aparece na forma de doenças respiratórias e cardiovasculares, o que faz com que seja esperado um aumento da demanda dessas moléstias nos hospitais. O alerta é do professor Paulo Saldiva, médico patologista e professor da Faculdade de Medicina da USP, que fala sobre as consequências das ondas de frio que acontecem nesta época do ano.
A poluição, que é maior neste período de frio, também tem o seu papel, pois ajuda a carregar micro-organismos para as regiões mais profundas do pulmão. “É como se o micro-organismo, bactérias e vírus pegassem uma carona nas partículas de poluição e vão penetrando nas regiões mais fundas, onde a gente faz troca gasosa, ensejando o aparecimento de pneumonias”, diz.
De acordo com o médico, o coração tem que bombear contra uma resistência periférica aumentada, ou seja, contraímos as artérias para evitar perda de calor através da pele, mas consequentemente o coração vai ter que bombear contra uma resistência maior. “E, infelizmente, com essas temperaturas que estão muito baixas, a gente espera um aumento das demandas por doenças respiratórias e cardiovasculares e, também, mortalidade.”
Para minimizar esses efeitos, é preciso controlar as doenças que são preexistentes, alerta Saldiva. “Se é hipertenso, se é doença cardiovascular, se é asmático, se o bebê ou a criança estão com chiado no peito tem que ficar de olho e procurar assistência médica. Mudou a secreção respiratória, começou a ter catarro, tosse, é importante levar na assistência médica e ficar bem de olho”, ressalta.
Já os idosos precisam ter atenção diferenciada nesta época de frio intenso, principalmente os que têm acima de 70 e 80 anos. “É preciso observar o seu comportamento, porque perderam essa capacidade de termorregulação, a pele fica mais fina, tem menos gordura no subcutâneo e consequentemente fica mais vulnerável ao esfriamento.”
Saldiva conclui que a amplitude térmica, a variação, o sistema de gangorra de temperatura também não fazem bem para as pessoas. “Mas isso veio para ficar. As cidades têm baixa umidade do ar, construímos os desertos de concreto e asfalto e, como acontece em qualquer deserto, de noite faz muito frio e aumenta a temperatura durante o dia e isso nós vamos ter que recuperar.”
Aviso legal
Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução, integral ou parcial, do conteúdo textual e das imagens deste site. Para mais informações sobre licenciamento de conteúdo, entre em contato conosco.
Últimas Notícias
As mais lidas do mês
Política
Lula ou Flávio Bolsonaro? Veja onde consultar propostas, histórico e informações antes de votar
Programas de governo em PDF, registros do Senado, despesas federais e plataformas de checagem permitem comparar os candidatos à Presidência com informações oficiais e documentos públicos