Responsabilidade Social • 16:23h • 23 de abril de 2026
Fundação Florestal intensifica ações para conter o avanço de mangue-maçã no litoral de SP
Espécie invasora descoberta em Cubatão está presente em cerca de 300 hectares no litoral paulista e representa o primeiro registro na América do Sul
Agência SP | Foto: Divulgação/Governo de São Paulo
A Fundação Florestal de São Paulo já removeu mais de 700 árvores de mangue-maçã (Sonneratia apetala) no litoral paulista e intensifica as ações para conter o avanço da espécie invasora. Elas foram identificadas em manguezais de Cubatão, onde passaram a ocupar espaço e competir com espécies nativas por recursos naturais.
Originário da região Indo-Malaia, na Ásia, o mangue-maçã não faz parte da vegetação nativa brasileira e foi registrado pela primeira vez no país em 2022 — sendo também o primeiro registro na América do Sul. A principal hipótese é que sua introdução tenha ocorrido por meio da água de lastro de navios, especialmente devido à proximidade com áreas portuárias, como o complexo do Porto de Santos.
Atualmente, a espécie já soma centenas de árvores adultas e em desenvolvimento, ocupando uma área estimada de mais de 300 hectares no litoral paulista. O avanço está sendo monitorado por meio de parceria entre a Fundação Florestal e o Ibama, responsável pelo mapeamento e quantificação da espécie.
“A erradicação do mangue-maçã ainda é viável, mas exige resposta rápida, coordenação técnica e continuidade dos esforços para proteger a integridade dos manguezais paulistas”, afirma Rodrigo Levkovicz, diretor executivo da Fundação Floresta, órgão vinculado à Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do Estado de São Paulo (Semil).
Por apresentar crescimento acelerado, maior porte em relação às espécies nativas e elevada produção de sementes, o mangue-maçã tem alto potencial invasor. A espécie pode ocupar rapidamente áreas de mangue nativo, substituindo a vegetação original — especialmente em regiões com histórico de degradação, como Cubatão. Esse processo altera a estrutura do ecossistema e pode causar impactos irreversíveis, comprometendo funções essenciais dos manguezais, como abrigo e reprodução de espécies marinhas. A presença da planta também pode afetar a fauna e atividades econômicas locais, como a pesca.
Ações rápidas
O cenário atual ainda é compatível com a erradicação da espécie, mas isso depende de ações rápidas e contínuas. Sem intervenção adequada, o mangue-maçã pode deixar de ser erradicável em poucos anos e passar a exigir controle permanente — um cenário mais caro, complexo e com impactos ambientais mais difíceis de reverter.
Para ampliar a capacidade de resposta, a Fundação Florestal intensificou as ações de supressão, com mapeamento das áreas afetadas e atuação direta das equipes em campo. Está previsto ainda um investimento de aproximadamente R$ 1 milhão em 2026, destinado à contratação de serviços especializados e à expansão das ações de manejo e monitoramento.
“O momento é decisivo. Ainda estamos em uma fase em que a erradicação é possível, mas isso exige atuação rápida e contínua”, destaca Laís Zayas, responsável pelo setor de manguezais da Fundação Florestal.
As ações seguem a estratégia internacional de Detecção Precoce e Resposta Rápida (DPRR) e incluem corte das árvores, recobrimento dos tocos com sedimento do próprio manguezal e remoção manual de mudas e frutos, sem uso de produtos químicos, garantindo a conservação do ambiente.
Além das operações em campo, a Fundação Florestal investe em tecnologia para ampliar a eficiência do combate. O monitoramento será expandido com uso de drones e sensoriamento remoto, permitindo identificar novos focos com mais precisão e rapidez.
A atuação conta com a parceria de órgãos ambientais, como o Ibama, e de instituições de pesquisa, como a Esalq-USP, que apoiam na identificação da espécie por imagem e no monitoramento das áreas, fortalecendo a integração entre ciência e gestão pública e possibilitando a detecção precoce em outras regiões do litoral.
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