Saúde • 10:03h • 24 de junho de 2026
Fungo da esporotricose é encontrado em animais silvestres e amplia alerta sobre a doença
Estudo brasileiro revela que o fungo responsável pela esporotricose, antes associado principalmente a gatos domésticos, também está presente em órgãos internos de animais silvestres
Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência SP | Foto: Arquivo Âncora1
O fungo causador da esporotricose, geralmente transmitido entre gatos e responsável por lesões graves na pele, foi detectado em tecidos internos de animais silvestres. A pesquisa, apoiada pela Fapesp e publicada na revista Mycopathologia, identificou três espécies do gênero Sporothrix: S. brasiliensis (endêmica do Brasil), S. globosa e S. schenckii, sendo esta última a mais frequente e presente em mamíferos e aves.
Os resultados sugerem que animais silvestres também podem atuar como reservatórios desses fungos, que podem causar infecções na pele e, em casos mais graves, atingir o sistema linfático em humanos e animais domésticos.
Segundo os pesquisadores, não foi possível confirmar se os fungos estavam em forma ativa de infecção, mas a detecção de material genético em órgãos como fígado e coração indica circulação do patógeno no organismo dos animais. As análises também descartaram contaminação ambiental, já que foram avaliados órgãos internos íntegros.
O estudo foi conduzido a partir da análise de animais atropelados coletados em rodovias do Paraná entre 2017 e 2023, dentro de um projeto sobre vigilância de zoonoses em fauna silvestre. Ao todo, foram examinadas 178 amostras de tecidos de 81 animais, incluindo mamíferos, aves e répteis.
O DNA do fungo foi encontrado em 11 animais, com maior frequência no coração e no fígado. A espécie S. schenckii apareceu em aves, mamíferos e até em um réptil. Já S. brasiliensis, principal agente da esporotricose no Brasil, foi identificada em duas aves, enquanto S. globosa apareceu em poucos casos, incluindo aves e um mamífero.
Os pesquisadores destacam ainda que áreas de transição entre ambientes urbanos, rurais e naturais podem favorecer o contato entre animais silvestres e domésticos, ampliando a disseminação do fungo. O trabalho também aponta a análise de animais atropelados como uma ferramenta promissora e de baixo custo para monitoramento de doenças, dentro do conceito de Saúde Única, que integra saúde humana, animal e ambiental.
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