Saúde • 08:07h • 07 de março de 2026
Genética ajuda a explicar transtornos mentais e pode mudar diagnósticos no futuro
Maior estudo já feito sobre o tema mostra que 14 condições psiquiátricas compartilham bases genéticas e podem ser organizadas em cinco grandes grupos
Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência SP | Foto: Arquivo Âncora1
Embora os transtornos mentais tenham várias causas, a genética explica uma parte importante deles. Mesmo assim, essas informações ainda são pouco usadas na prática clínica para orientar diagnósticos e tratamentos.
Um grande estudo internacional publicado na revista Nature analisou variações genéticas ligadas a 14 transtornos psiquiátricos. A partir da comparação dos dados, os pesquisadores organizaram as condições em cinco grupos principais, de acordo com as semelhanças genéticas entre elas.
Sintomas parecidos, raízes genéticas em comum
Muitos transtornos mentais apresentam sintomas semelhantes, o que dificulta o diagnóstico, hoje baseado principalmente na avaliação clínica. O estudo mostrou que essa semelhança também aparece no DNA.
Um exemplo é a esquizofrenia e o transtorno bipolar, que compartilham cerca de 80% das variações genéticas analisadas. Isso indica que, biologicamente, podem fazer parte de um mesmo espectro.
Os cinco grupos identificados
1. Transtornos compulsivos
Incluem anorexia, transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) e, em menor grau, síndrome de Tourette e ansiedade.
2. Transtornos psicóticos
Reúnem esquizofrenia e transtorno bipolar, ligados a alterações em neurônios envolvidos na percepção da realidade.
3. Neurodesenvolvimento
Inclui autismo, transtorno de déficit de atenção com hiperatividade (TDAH) e, parcialmente, Tourette. Os genes associados atuam principalmente nas fases iniciais do desenvolvimento do cérebro.
4. Condições internalizantes
Abrangem depressão, ansiedade e estresse pós-traumático. Nesse grupo, os genes mais ligados às condições estão relacionados às células que dão suporte aos neurônios, e não diretamente à transmissão de sinais cerebrais.
5. Uso de substâncias
Envolve transtornos relacionados ao consumo de álcool, nicotina, cannabis e opioides. Foram encontradas variações genéticas ligadas ao metabolismo do álcool e à resposta à nicotina. Esse grupo também mostrou maior relação com fatores sociais e econômicos, como renda e escolaridade.
O que os resultados podem mudar
Entre todos os transtornos analisados, a síndrome de Tourette foi a que apresentou mais características genéticas próprias, com menor sobreposição com as demais. Os pesquisadores também identificaram um conjunto de variações genéticas comuns a todas as 14 condições.
O estudo analisou dados de mais de 1 milhão de pessoas diagnosticadas e comparou com indivíduos sem transtornos psiquiátricos. Os resultados podem ajudar no desenvolvimento de novos tratamentos, inclusive permitindo que medicamentos já usados para uma condição sejam testados em outra.
Genética não é destino
Especialistas ressaltam que muitas das variações genéticas associadas a transtornos mentais também estão presentes em características consideradas normais, como personalidade, sono e cognição.
Os transtornos tendem a surgir quando certas combinações de genes se encontram com fatores ambientais desfavoráveis. Ou seja, a saúde mental não deve ser vista como resultado de uma “biologia defeituosa”, mas como parte da diversidade humana, influenciada tanto pela genética quanto pelo ambiente.
A estimativa é que metade da população mundial apresente pelo menos um transtorno mental ao longo da vida — o que reforça a importância de compreender melhor suas causas e ampliar as possibilidades de cuidado.
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