Esporte • 18:32h • 10 de julho de 2026
Geração Z nunca viu o Brasil campeão; estudo mostra como isso transforma a relação com a Seleção
Estudo e análise em inteligência emocional indicam que derrotas repetidas vão além do futebol e influenciam identidade, pertencimento e expectativas de brasileiros de diferentes idades
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | via Assessoria | Foto: Arquivo/Âncora1
As eliminações consecutivas da Seleção Brasileira em Copas do Mundo podem estar provocando uma mudança mais profunda do que a simples frustração esportiva. Segundo especialistas, a repetição de campanhas interrompidas antes do título vem alterando a forma como diferentes gerações constroem suas expectativas, seu sentimento de pertencimento e até a maneira de enxergar o Brasil como potência do futebol.
Embora o país continue sendo identificado mundialmente com o esporte, a relação emocional dos brasileiros com a Seleção já não é a mesma entre jovens, adultos e pessoas que acompanharam os cinco títulos mundiais.
Geração Z conhece a tradição, mas não viveu um título
A chamada geração Z cresceu ouvindo que o Brasil é "o país do futebol", mas nunca comemorou conscientemente uma conquista da Copa do Mundo.
Mesmo assim, o interesse permanece elevado. Levantamento do InstitutoZ aponta que 75% dos jovens brasileiros afirmam ter alto envolvimento com o Mundial, enquanto 69% ainda associam o Brasil ao protagonismo no futebol.
Segundo a especialista em inteligência emocional Núria Santos, a diferença está na forma como essa geração constrói sua relação com a Seleção.
"A geração Z constrói sua relação com o esporte muito mais pelas experiências que vive do que pelas histórias que escuta. Quando as lembranças são marcadas por eliminações consecutivas, a esperança deixa de ser uma herança automática e passa a depender de novos significados."
Millennials e geração X vivenciam mudanças diferentes
Entre os millennials, que cresceram próximos ao pentacampeonato, mas acumularam eliminações durante a vida adulta, a repetição das derrotas pode levar à redução inconsciente das expectativas como forma de proteção emocional.
Já para a geração X, que viveu os títulos de 1994 e 2002, o impacto costuma ser diferente. Segundo a especialista, existe um processo semelhante a um luto simbólico diante do enfraquecimento de uma narrativa que durante décadas ajudou a construir a identidade nacional.
Para Núria, o desafio da Seleção vai além da busca pelo hexacampeonato. Será necessário reconstruir uma narrativa capaz de aproximar gerações que viveram experiências completamente diferentes com o futebol brasileiro, mantendo vivo um dos principais elementos de identidade coletiva do país.
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