Saúde • 08:40h • 09 de janeiro de 2026
Geriatras pedem cautela no uso de canetas emagrecedoras por idosos
Especialistas alertam que a perda de massa muscular pode comprometer a capacidade funcional e trazer riscos à saúde na terceira idade
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Agência Brasil | Foto: Arquivo/Âncora1
O uso de canetas emagrecedoras por pessoas idosas requer cuidados específicos para evitar efeitos adversos e o agravamento do declínio funcional. O alerta foi feito pelo presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia, Leonardo Oliva, em entrevista concedida nesta semana, ao avaliar o aumento do uso dessas medicações sem orientação adequada na população com 60 anos ou mais.
Segundo o geriatra, idosos estão mais suscetíveis aos efeitos colaterais imediatos desses medicamentos, como náuseas, vômitos, redução do apetite e dificuldade na ingestão de alimentos e líquidos. Esses fatores podem levar à desidratação e a distúrbios eletrolíticos, situações consideradas potencialmente graves. Em médio prazo, o risco de desnutrição também se torna relevante.
Um dos pontos mais preocupantes, de acordo com Oliva, é a perda de massa muscular associada ao emagrecimento. Estudos indicam que cerca de um terço do peso perdido com o uso dessas medicações corresponde à massa magra. Na população idosa, essa perda pode significar redução da capacidade funcional, comprometendo atividades básicas do dia a dia, como caminhar, levantar-se ou manter o equilíbrio.
O diretor-científico da SBGG, Ivan Aprahamian, reforça que a combinação de menor apetite, náuseas e perda rápida de peso pode precipitar síndromes geriátricas, como sarcopenia e fragilidade física, aumentando o risco de quedas, internações e perda de autonomia.
Os especialistas destacam que as chamadas canetas emagrecedoras são indicadas para o tratamento de condições clínicas específicas, como obesidade, diabetes e apneia do sono, e não para a perda de poucos quilos com finalidade estética. O uso inadequado, sem avaliação médica, pode trazer mais prejuízos do que benefícios, especialmente entre idosos.
Dentro de um plano de tratamento da obesidade na terceira idade, o acompanhamento deve ser multiprofissional. Além do médico, é fundamental o suporte nutricional e a orientação de fisioterapeutas ou educadores físicos, com foco na prática regular de exercícios, especialmente musculação, para reduzir a perda de massa muscular durante o emagrecimento.
Outro ponto ressaltado é a necessidade de evitar emagrecimento acelerado. Quanto mais rápida a perda de peso, maior tende a ser a redução de massa muscular. O processo deve ser gradual, com atenção à ingestão adequada de proteínas, vitaminas e minerais, além do cuidado com a saúde emocional, já que dietas restritivas também podem gerar impacto psicológico.
A SBGG também alerta para os riscos da compra dessas medicações no mercado ilegal. Produtos falsificados ou de procedência desconhecida podem conter substâncias inadequadas, apresentar problemas de contaminação e não seguir padrões de qualidade exigidos por órgãos reguladores. A orientação é que o uso ocorra apenas com prescrição médica e aquisição em farmácias legalizadas.
Para os especialistas, o envelhecimento traz mudanças naturais no corpo, incluindo maior tendência ao acúmulo de gordura e à redução da massa muscular. Combater a obesidade é importante, mas o objetivo principal deve ser a preservação da saúde e da funcionalidade, e não apenas a redução do número na balança.
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