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Responsabilidade Social • 11:17h • 28 de março de 2025

Gibi da Turma da Mônica aborda a relação entre diferentes gerações

Publicação foca no envelhecimento e na valorização dos idosos

Agência Brasil | Foto: Marcello Camargo/Agência Brasil

A ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania, Macaé Evaristo, defende a educação da sociedade para convivência intergeracional desde a primeira infância.
A ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania, Macaé Evaristo, defende a educação da sociedade para convivência intergeracional desde a primeira infância.

A pensionista Varlinda Lisboa Leite, de 61 anos, e o seu neto, Arthur Digo, de 12 anos, moram juntos desde que o menino nasceu, no Itapoã, a 30 quilômetros do centro de Brasília. Varlinda, que também foi criada pela avó, considera intensa a troca de experiências com o quinto neto, mesmo com a diferença de idade de quase 40 anos. Ao adolescente, Varlinda repassa valores éticos e da religião dela.

“Eu ensino muito o que os meus pais e minha avó me passaram. A ter respeito pelo próximo”. 

Já o neto atualiza a avó sobre avanços tecnológicos, sobretudo, no celular.

“Tem coisas que o Arthur me explica uma única vez sobre o Whatsapp e redes sociais, porque os jovens de hoje não têm paciência”, constata Varlinda.

Do lado do Arthur, ele diz usufruir dos paparicos da matriarca. “Ela me dá muito carinho.”

Na manhã de quarta-feira (26), os dois tiveram uma programação diferente: compareceram ao lançamento da revista em quadrinhos Turma da Mônica em: Intergeracionalidade em uma escola pública da região administrativa do Distrito Federal. O material coloca, pela primeira vez, os personagens da Turma da Mônica em contato com o processo de envelhecimento e a valorização da pessoa idosa, igualzinho ocorre na casa da Varlinda e do pequeno Arthur.

A publicação é resultado da parceria do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC) e o Instituto Mauricio de Sousa, que leva o nome do cartunista criador da personagem Mônica e sua turma.

A ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania, Macaé Evaristo, defende a educação da sociedade para convivência intergeracional desde a primeira infância.

“As populações mais jovens vão conviver no Brasil com percentual muito maior de população envelhecida, no futuro. Então, tem que começar a conversar [sobre intergeracionalidade] desde criança. Acho que essa relação deve ser perpetuada com amorosidade. A população que vem envelhecendo se renova e aprende com as crianças. E vice-versa”.

Presente ao lançamento do gibi, no Itapoã, Paulo Vannuchi, de 74 anos, ex-ministro da Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República, aprovou a publicação que ensina pelo desenho e pela linguagem simples.

“É aqui, na mais tenra idade, que devemos começar a discutir juntos a importância do respeito familiar, do respeito aos avós e bisavós, para construirmos o Brasil que vai ser diferente desse que temos ainda hoje”, defendeu Vannuchi, que é membro da Comissão Interamericana de Direitos Humanos.

Gibi

O gibi Turma da Mônica em: Intergeracionalidade tem versões impressa e digital, em dois idiomas: português e espanhol.

Os quadrinhos contam a história da personagem Xabéu e de sua avó, Dona Xepa. Na trama, são abordadas as dificuldades que podem surgir entre pessoas de diferentes gerações, estereótipos construídos sobre a velhice, que geram discriminação e preconceitos contra as pessoas idosas, e como esses fatores afetam a dignidade e a saúde de pessoas idosas.

A representante do Instituto Mauricio de Sousa, Larissa Mussolino, divulga que estímulo à leitura tem o poder de sensibilizar e gerar interesse em crianças, adolescentes, familiares e professores sobre o envelhecimento e a importância de valorizar a pessoa idosa.


Gibi da Turma da Mônica sobre intergeracionalidade Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

“Todos nós fomos crianças e, se tivermos a felicidade, seremos pessoas idosas. E esse gibi busca fomentar a convivência respeitosa entre as gerações. Não basta coabitar, estar na mesma casa, se não há conversa, se não há respeito”.

Leitores

Dezenas de exemplares do novo gibi da Turma da Mônica foram distribuídos aos estudantes de 4 a 10 anos da Escola Classe 502 do Itapoã e à comunidade local que acompanhou a cerimônia.   

O estudante Miguel de Sousa Ferreira, de 8 anos, não sabe o que significa intergeracionalidade, mas os olhinhos atentos às figuras e ao diálogo com linguagem descomplicada ajudaram a decodificar as mensagens de promoção do respeito a todas as gerações.

“Meus avós moram no Tocantins. Quando eu vou lá, fico mais de um mês de férias e eles me levam para visitar meus primos. Eu respeito as pessoas mais velhas porque elas são muito importantes para a humanidade.”

Aos 68 anos, a dona de casa Maria de Fátima Celestino dos Santos também folheou a revistinha. Ela é avó de seis crianças e bisavó de mais uma, de 3 anos. Fátima se sente respeitada pelos familiares, que param para escutar os ensinamentos de quem viveu mais.

“A gente tem que viver uma vida sadia e respeitar os outros para poder ser respeitado também. No mundo em que vivemos, com pessoas revoltadas com a vida, temos que ter paciência e ter cuidado com os outros”.

Violações

De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2022, a parcela da população brasileira com 60 anos ou mais de idade era de 14,7% do total. Em números absolutos, são aproximadamente 31,2 milhões de pessoas.

Desde 2003, o Estatuto da Pessoa Idosa, no artigo 4º, diz que “nenhuma pessoa idosa será objeto de qualquer tipo de negligência, discriminação, violência, crueldade ou opressão, e todo atentado aos seus direitos, por ação ou omissão, será punido na forma da lei”.

O secretário Nacional dos Direitos da Pessoa Idosa do MDHC, Alexandre da Silva, explica o perfil das violações de direitos humanos contra pessoas idosas.

“Muitas das violações ocorrem no ambiente de casa. Mas, é também dentro de casa que temos as soluções. A criação e a distribuição do gibi vêm nesta perspectiva de facilitar a conversa, onde todo mundo poderá se encontrar.”

As denúncias de violações de direitos humanos contra pessoas idosas podem ser caminhadas para a Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos (ONDH), pelo WhatsApp (61) 99611-0100) ou Telegram. O serviço também dispõe de atendimento na Língua Brasileira de Sinais (Libras).

O Disque 100 é outro canal de comunicação da sociedade com o governo federal que funciona 24 horas por dia, sete dias por semana, por meio de ligação para o número 100, em qualquer aparelho telefônico. 

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