Saúde • 14:49h • 10 de março de 2026
Glaucoma é a principal causa de cegueira irreversível e ainda é diagnosticado tarde
Na Semana Mundial do Glaucoma, especialista alerta que a doença evolui de forma silenciosa e reforça a importância das consultas oftalmológicas regulares
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da CW Assessoria | Foto: Arquivo/Âncora1
Responsável por uma parcela significativa dos casos de cegueira irreversível no mundo, o glaucoma ainda é frequentemente diagnosticado em estágios avançados. A doença costuma evoluir sem sintomas perceptíveis nas fases iniciais, o que dificulta o reconhecimento precoce pelo paciente e aumenta o risco de perda visual permanente. O alerta ganha destaque durante a Semana Mundial do Glaucoma, que busca ampliar a conscientização sobre a prevenção e o diagnóstico precoce da doença.
De acordo com o oftalmologista Dr. Luiz Caprio, do AME Carapicuíba, unidade da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (SES-SP) gerenciada pelo CEJAM - Centro de Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim”, um dos principais desafios do glaucoma é justamente a ausência de sinais claros no início da evolução da doença. Segundo ele, a perda de visão periférica ocorre gradualmente e, muitas vezes, o paciente só percebe o problema quando o dano ao nervo óptico já é significativo.
Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que entre 76 milhões e 95 milhões de pessoas convivem atualmente com o glaucoma em todo o mundo. A estimativa é que esse número possa alcançar cerca de 112 milhões até 2040, impulsionado principalmente pelo envelhecimento da população global. A doença é considerada a principal causa de cegueira irreversível e responde por aproximadamente 6,6% dos casos de cegueira no planeta.
No Brasil, estimativas indicam que milhões de pessoas convivem com o glaucoma, com prevalência semelhante à média global entre adultos acima de 40 anos, que gira em torno de 3,5% da população nessa faixa etária.
Segundo o especialista, quando o diagnóstico ocorre nas fases iniciais, o prognóstico pode ser significativamente melhor. O tratamento precoce permite controlar a pressão intraocular e reduzir o ritmo de progressão da doença, preservando a função visual por mais tempo.
Quando o glaucoma é identificado tardiamente, no entanto, as possibilidades de intervenção são mais limitadas. Nesse cenário, o objetivo do tratamento passa a ser impedir que a perda visual avance, já que os danos causados ao nervo óptico e ao campo visual não podem ser revertidos.
Outro ponto que ainda gera dúvidas entre os pacientes é a associação automática do glaucoma ao aumento da pressão ocular. Segundo Dr. Luiz Caprio, essa visão simplificada pode dificultar o entendimento da doença. Ele explica que o glaucoma é uma neuropatia óptica progressiva, que nem sempre está diretamente ligada à pressão intraocular elevada. Por esse motivo, o diagnóstico depende de uma avaliação oftalmológica mais completa, que inclui exames como análise do nervo óptico, avaliação da camada de fibras nervosas da retina, testes de campo visual e exame da córnea, conhecido como paquimetria.
A recomendação médica é que o rastreamento da doença passe a fazer parte da rotina de cuidados com a saúde ocular a partir dos 40 anos, mesmo na ausência de sintomas. Alguns fatores aumentam o risco de desenvolver glaucoma, como idade avançada, histórico familiar da doença, miopia moderada ou alta, diabetes e pressão intraocular elevada.
De acordo com o especialista, pessoas que apresentam esses fatores devem manter acompanhamento oftalmológico regular, já que a doença pode evoluir silenciosamente por muitos anos antes de causar alterações perceptíveis na visão.
Para Dr. Luiz Caprio, ampliar a conscientização sobre o glaucoma é fundamental para reduzir o impacto da cegueira evitável. Segundo ele, a consulta oftalmológica periódica continua sendo a principal estratégia para detectar a doença precocemente e preservar a saúde ocular ao longo da vida.
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