Saúde • 14:38h • 15 de janeiro de 2026
Governo decide não incluir vacina contra herpes-zóster no SUS por custo elevado
Imunizante foi considerado de alto custo em relação ao impacto da doença e ao orçamento do sistema público
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Agência Brasil | Foto: Paulo Pinto
O Ministério da Saúde decidiu não incorporar a vacina para prevenção do herpes-zóster ao Sistema Único de Saúde (SUS). A decisão consta em portaria publicada nesta semana no Diário Oficial da União.
De acordo com relatório da Conitec, responsável por assessorar o ministério na incorporação de tecnologias em saúde, o imunizante foi considerado caro diante do impacto esperado da doença na população e do custo para o sistema público.
A vacina recombinante adjuvada avaliada é indicada para idosos com 80 anos ou mais e para pessoas imunocomprometidas a partir dos 18 anos. Apesar do reconhecimento da relevância clínica do imunizante, a Conitec apontou que o valor atualmente praticado não é compatível com a sustentabilidade orçamentária do SUS.
“O Comitê de Medicamentos reconheceu a importância da vacina para a prevenção do herpes-zóster, mas destacou que considerações adicionais sobre a oferta de preço precisam ser negociadas, de modo a alcançar um valor com impacto orçamentário sustentável para o SUS”, afirma o relatório técnico.
Segundo os cálculos apresentados, a vacinação de cerca de 1,5 milhão de pessoas por ano teria custo estimado em R$ 1,2 bilhão anuais. No quinto ano, a imunização dos 471 mil pacientes restantes demandaria mais R$ 380 milhões. Ao final de cinco anos, o investimento total chegaria a aproximadamente R$ 5,2 bilhões, valor considerado não custo-efetivo nos parâmetros adotados pela comissão.
A portaria publicada pelo Ministério da Saúde destaca que a decisão não é definitiva. A incorporação da vacina poderá ser reavaliada futuramente pela Conitec, caso sejam apresentados novos dados científicos, econômicos ou propostas de preço que alterem o resultado da análise.
O que é o herpes-zóster
O herpes-zóster é causado pelo vírus varicela-zóster, o mesmo responsável pela catapora. Após a infecção inicial, o vírus permanece latente no organismo e pode ser reativado ao longo da vida, especialmente em pessoas idosas ou com imunidade comprometida.
Os sintomas iniciais incluem queimação, coceira, sensibilidade na pele, febre baixa e cansaço. Em seguida, surgem manchas avermelhadas que evoluem para bolhas, geralmente localizadas em apenas um lado do corpo, acompanhando o trajeto de um nervo. O quadro costuma durar de duas a três semanas, mas pode evoluir para complicações neurológicas, oftalmológicas ou auditivas.
Tratamento oferecido pelo SUS
Nos casos leves, o SUS oferece tratamento sintomático, com medicamentos para alívio da dor, febre e coceira, além de orientações sobre cuidados com a pele. Em situações de maior risco, como em idosos ou pessoas imunocomprometidas, é indicado o uso do antiviral aciclovir.
Dados dos sistemas oficiais do SUS apontam que, entre 2008 e 2024, o país registrou 85.888 atendimentos ambulatoriais e 30.801 internações relacionadas ao herpes-zóster. Entre 2007 e 2023, foram contabilizados 1.567 óbitos pela doença, sendo 90% em pessoas com 50 anos ou mais e mais da metade em idosos acima de 80 anos.
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