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Variedades • 14:30h • 04 de setembro de 2026

“Grande impacto no mundo”: ONU alerta para El Niño intenso e risco de novo recorde de calor

Águas abaixo da superfície chegaram a registrar temperaturas mais de 8ºC acima do normal em algumas áreas; fenômeno deve atingir o pico no fim de 2026 e pode afetar agricultura, energia, saúde, transportes e abastecimento de água

Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da ONU | Foto: Divulgação

El Niño ganha força no Pacífico e ONU faz alerta global: “Não devemos nos surpreender se recorde de calor for quebrado”
El Niño ganha força no Pacífico e ONU faz alerta global: “Não devemos nos surpreender se recorde de calor for quebrado”

O El Niño está firmemente estabelecido no Pacífico tropical e continua ganhando força, em um cenário que levou a Organização Meteorológica Mundial (OMM), agência especializada das Nações Unidas, a emitir na quinta-feira, 3 de setembro, um forte alerta sobre os próximos meses. As temperaturas da superfície do oceano já estão muito acima da média e continuam subindo, enquanto, abaixo da superfície, foram observadas áreas com temperaturas mais de 8ºC superiores ao normal entre julho e o início de agosto.

O dado preocupa porque revela uma grande quantidade de água excepcionalmente quente armazenada no oceano, capaz de alimentar a intensidade do fenômeno. Segundo a OMM, o El Niño deverá atingir seu pico perto do fim de 2026, mas seus efeitos poderão continuar sendo sentidos posteriormente, inclusive sobre a temperatura média global.

A secretária-geral da ONU, Celeste Saulo, alertou que os impactos podem atingir comunidades, economias e cadeias de abastecimento em diferentes partes do planeta. Agricultura, comércio, pesca, saúde, energia, transportes, recursos hídricos e gestão de desastres estão entre os setores que podem ser afetados.

Não devemos nos surpreender se esse recorde for quebrado

O alerta ganha dimensão quando comparado ao último episódio intenso do fenômeno. O poderoso El Niño de 2023 e 2024 contribuiu para que 2024 se tornasse o ano mais quente já registrado, segundo a manifestação da ONU.

“Não devemos nos surpreender se esse recorde for quebrado. Este El Niño provocará um grande impacto nas comunidades, economias e cadeias de abastecimento em todo o mundo”, afirmou Celeste Saulo.

A preocupação não se limita ao aumento das temperaturas. Mudanças nos padrões de precipitação associadas ao fenômeno podem favorecer condições de seca em determinadas regiões e excesso de chuva e inundações em outras. Eventos meteorológicos extremos também podem pressionar sistemas de produção de alimentos, geração de energia e disponibilidade de água.

Informação antecipada pode mudar decisões antes dos impactos

Apesar da gravidade do cenário, a ONU enfatiza que El Niño não precisa necessariamente se transformar em desastre. A capacidade de prever o fenômeno com antecedência permite que governos, empresas, produtores rurais e sistemas de proteção civil tomem decisões antes que os efeitos mais intensos ocorram.

Na agricultura, por exemplo, previsões de menor disponibilidade de chuva podem orientar a escolha de sementes e estratégias de plantio mais adequadas às condições esperadas. Em regiões dependentes de hidrelétricas, a gestão antecipada dos reservatórios pode ajudar a administrar a disponibilidade de energia.

“Temos a previsão e a capacidade de antecipação para salvar vidas e proteger meios de subsistência”, ressaltou Saulo.

Esse planejamento envolve investimentos em previsão meteorológica, sistemas de alerta precoce e preparação para secas, enchentes, ondas de calor e outros eventos extremos. A informação antecipada permite dimensionar riscos e preparar respostas antes que comunidades sejam atingidas.

Aquecimento abaixo da superfície chama atenção

Um dos pontos mais relevantes do alerta está justamente onde não é possível observar diretamente: abaixo da superfície do Pacífico. Além do aquecimento das águas superficiais, as temperaturas subsuperficiais estão excepcionalmente elevadas.

Em determinadas áreas, a anomalia superou 8ºC durante julho e o início de agosto. Esse enorme reservatório de água quente é apontado como combustível para a evolução do El Niño nos próximos meses.

A avaliação divulgada na quinta-feira indica probabilidade excepcionalmente alta de permanência do fenômeno até fevereiro de 2027. Mesmo depois de seu pico, porém, seus efeitos sobre o sistema climático podem persistir.

A campanha global #AjaAgora, das Nações Unidas, também chama a atenção para medidas de enfrentamento às mudanças climáticas, incluindo redução das emissões de gases de efeito estufa e ampliação da capacidade de adaptação das cidades e comunidades aos eventos extremos.

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