Educação • 11:25h • 12 de maio de 2026
Greve e estado de mobilização ampliam tensão nas universidades estaduais paulistas
Estudantes da USP seguem em greve desde abril, enquanto alunos da Unicamp e da Unesp discutem adesão ao movimento. Reivindicações envolvem permanência estudantil, bolsas, moradia e condições de ensino
Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência Brasil | Foto: Cecília Bastos/Jornal da USP
As universidades estaduais paulistas vivem um período de tensão marcado por greves, paralisações e estados de mobilização estudantil. A crise começou na Universidade de São Paulo (USP), onde estudantes permanecem em greve desde 14 de abril, e se espalhou para a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e para a Universidade Estadual Paulista (Unesp), que discutem adesão ao movimento.
Na USP, a paralisação começou em apoio à greve dos servidores técnico-administrativos e ganhou força com pautas relacionadas à permanência estudantil, reajuste de bolsas, moradia universitária, alimentação e contratação de funcionários. Segundo o Diretório Central dos Estudantes (DCE), mais de 100 cursos aderiram ao movimento em diferentes campi da universidade.
Entre as principais reivindicações dos estudantes estão o aumento do Programa de Apoio à Permanência e Formação Estudantil (PAPFE), ampliação das políticas de assistência estudantil e melhorias nas condições do Crusp e dos restaurantes universitários. Alunos relatam problemas estruturais e dificuldades financeiras para permanecer na universidade.
O movimento estudantil também critica a criação da Gratificação por Atividades Complementares Estratégicas (GACE), aprovada pela USP para docentes e estimada em R$ 4,5 mil mensais. A medida foi apontada por estudantes e servidores como fator de aumento das desigualdades internas na universidade.
Os servidores técnico-administrativos da USP encerraram a greve em abril após acordo com a reitoria, mas os estudantes decidiram manter a paralisação.
Nos últimos dias, o conflito aumentou após estudantes ocuparem o prédio da reitoria no campus do Butantã. Em entrevista ao Jornal da USP, o reitor Aluísio Segurado afirmou que a ocupação compromete o funcionamento administrativo da universidade e dificulta o avanço das negociações. Segundo ele, “negociação deve ser consenso entre as partes, não imposição”.
Unicamp e Unesp discutem adesão
A mobilização também ganhou força na Unicamp e na Unesp. Estudantes das duas instituições realizaram assembleias e debates sobre possível adesão à greve unificada das universidades estaduais paulistas.
Na Unesp, estudantes aprovaram estado de mobilização e paralisações em diferentes campi. As reivindicações incluem melhorias nas condições de ensino, combate à precarização, atraso em auxílios estudantis e ampliação das políticas de permanência.
Na Unicamp, centros acadêmicos e diretórios estudantis também passaram a discutir formas de mobilização conjunta com USP e Unesp. Representantes estudantis defendem uma articulação estadual em torno de pautas salariais, assistência estudantil e financiamento das universidades públicas.
As mobilizações ocorreram paralelamente à campanha salarial unificada organizada pelo Fórum das Seis, entidade que reúne representantes de docentes, servidores e estudantes das três universidades estaduais paulistas. O grupo reivindica reajuste salarial, valorização das carreiras e ampliação dos investimentos nas instituições.
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, criticou a greve estudantil da USP e afirmou que o movimento tem “cunho político”. Segundo ele, os estudantes deveriam priorizar os estudos e a formação acadêmica.
Apesar dos impasses, estudantes e entidades acadêmicas continuam cobrando abertura de diálogo e retomada das negociações com as reitorias. A Associação Nacional de História em São Paulo (Anpuh-SP), por exemplo, divulgou nota defendendo que as reivindicações estudantis sejam debatidas de forma democrática e pedindo reabertura das negociações na USP.
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