Variedades • 15:37h • 12 de outubro de 2026
Água gelada pode diminuir os batimentos cardíacos, mas prática viral exige cuidados
Técnica viralizou nas redes sociais com promessas de controlar palpitações e ansiedade; especialistas explicam quando a alteração dos batimentos exige atendimento médico
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | via Assessoria | Foto: Divulgação
Vídeos que ensinam a mergulhar o rosto em uma tigela com água e gelo para desacelerar os batimentos cardíacos e aliviar a ansiedade estão viralizando nas redes sociais. A prática provoca uma resposta fisiológica real no organismo, conhecida como reflexo de mergulho, mas médicos alertam que o efeito é temporário e não representa um tratamento para palpitações, arritmias ou problemas cardiovasculares.
Segundo o médico emergencista Yuri Castro, o contato do rosto com água muito fria pode estimular mecanismos naturais que alteram a frequência cardíaca. A exposição ao frio também provoca contração dos vasos sanguíneos e pode elevar momentaneamente a pressão arterial.
Embora o reflexo de mergulho possa reduzir os batimentos, isso não significa que a técnica seja capaz de corrigir alterações no funcionamento do coração. O especialista ressalta que a ideia de um "reset" cardiovascular, frequentemente apresentada nos vídeos, não possui fundamento como tratamento médico.
Coração acelerado nem sempre é sinal de ansiedade
As palpitações podem surgir em situações de estresse, ansiedade, sustos ou após o consumo excessivo de cafeína. Desidratação e alterações hormonais também estão entre as possíveis causas.
Entretanto, a sensação de coração acelerado ou batimentos irregulares pode estar associada a arritmias e outras condições que exigem investigação. Por isso, utilizar repetidamente uma técnica caseira para controlar os sintomas pode atrasar o diagnóstico.
A cardiologista Bárbara Fagundes, integrante da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), destaca que a prevenção cardiovascular depende de hábitos contínuos, como alimentação equilibrada, atividade física, sono adequado, controle do estresse e acompanhamento da pressão arterial e do colesterol.
Quando a palpitação exige atendimento de urgência
Alguns sintomas associados às alterações dos batimentos cardíacos exigem atenção imediata. Entre os principais sinais de alerta estão:
- Dor ou pressão no peito;
- Falta de ar intensa;
- Desmaio ou perda de consciência;
- Confusão mental;
- Palpitações acompanhadas de mal-estar intenso ou piora súbita.
Nessas situações, a orientação é procurar atendimento médico de urgência, sem tentar controlar os sintomas com água gelada ou outras técnicas divulgadas na internet.
Yuri Castro alerta que a tentativa de resolver o problema em casa pode representar perda de tempo importante diante de uma condição cardiovascular que necessita de avaliação.
A resposta do organismo ao frio não transforma a prática em uma terapia comprovada. Para pessoas com palpitações recorrentes, mesmo sem sintomas graves, a recomendação é buscar avaliação médica para identificar a causa.
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