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Economia • 13:49h • 05 de março de 2026

Guerra no Oriente Médio pode encarecer gasolina, alimentos e crédito em Assis

Escalada no conflito internacional eleva preço do petróleo e pode impactar diretamente o custo de vida no Brasil

Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Lara Assessoria | Foto: Arquivo/Âncora1

Conflito internacional pode chegar ao supermercado e ao combustível no interior
Conflito internacional pode chegar ao supermercado e ao combustível no interior

A escalada de tensões no Oriente Médio acendeu um alerta nos mercados internacionais e pode provocar reflexos diretos no bolso dos brasileiros. O motivo é estratégico: cerca de 20% do petróleo mundial passa diariamente pelo Estreito de Ormuz, segundo dados da U.S. Energy Information Administration. Qualquer ameaça à circulação na região costuma provocar alta imediata no preço do barril no mercado global.

Embora o conflito ocorra a milhares de quilômetros do Brasil, seus efeitos tendem a chegar rapidamente ao consumidor. Combustíveis mais caros pressionam o transporte de mercadorias, encarecem alimentos e influenciam até o custo do crédito.

Para Ricardo Hiraki Maila, especialista em educação financeira e sócio-fundador da Plano, o impacto acontece em cadeia. “O petróleo é um insumo básico da economia. Quando o preço sobe, encarece transporte, produção e pressiona a inflação. O consumidor sente isso no supermercado e nas contas do dia a dia”, explica.

Como a guerra chega ao bolso do brasileiro

Apesar de o Brasil ser exportador líquido de petróleo, os preços dos combustíveis seguem a dinâmica do mercado internacional. Isso significa que uma disparada do barril tende a pressionar valores da gasolina, do diesel e do gás de cozinha. O diesel, em especial, tem papel central na economia brasileira por ser o principal combustível do transporte rodoviário de cargas. Quando o preço sobe, o custo do frete aumenta e acaba sendo repassado para alimentos e produtos básicos.

Dados do IBGE mostram que combustíveis e energia têm peso relevante no IPCA, índice que mede a inflação oficial do país. Em períodos de choque internacional, esses itens costumam liderar as altas.

Energia e dólar também entram na conta

A pressão não se limita aos combustíveis. A alta do petróleo costuma provocar instabilidade nos mercados globais e fortalecer o dólar. Quando a moeda americana sobe, importações ficam mais caras e isso também alimenta a inflação.

A energia elétrica pode sofrer impacto indireto, já que parte da produção mundial ainda depende de combustíveis fósseis e cadeias industriais afetadas por petróleo caro.

Crédito pode ficar ainda mais caro

Outro reflexo possível aparece no crédito. Em cenários de inflação persistente, os bancos centrais costumam manter juros elevados por mais tempo, o que encarece financiamentos e empréstimos. Segundo dados recentes do Banco Central, o rotativo do cartão de crédito supera 400% ao ano em juros médios, enquanto o cheque especial gira em torno de 130% ao ano.

“Se a renda não cresce no mesmo ritmo dos preços, o consumidor recorre ao cartão ou ao cheque especial. O problema é que essas linhas têm os juros mais altos do sistema”, alerta Ricardo.

O impacto para quem vive em Assis

Mesmo distante dos conflitos internacionais, cidades do interior paulista também sentem rapidamente esse tipo de impacto econômico. Em Assis e região, por exemplo, o encarecimento do diesel afeta diretamente fretes agrícolas, transporte de alimentos, logística de supermercados e distribuição de combustíveis, pressionando preços locais.

Como grande parte dos produtos consumidos na cidade depende de transporte rodoviário, qualquer aumento no custo do combustível tende a aparecer nas prateleiras em poucas semanas.

Como proteger o orçamento familiar

Diante de um cenário de instabilidade internacional, especialistas recomendam ajustes imediatos na organização financeira doméstica.

Entre as medidas sugeridas estão:

  • Revisar gastos fixos e cortar despesas pouco utilizadas;
  • Evitar parcelamentos longos no cartão de crédito;
  • Renegociar dívidas antes que se tornem impagáveis;
  • Criar ou reforçar uma reserva de emergência;
  • Acompanhar semanalmente o orçamento familiar.

“O consumidor não controla o preço do petróleo, mas controla sua organização financeira. Em momentos de instabilidade global, disciplina financeira se torna proteção”, afirma Ricardo.

Ele também recomenda cautela com compras impulsivas.

Quando a inflação sobe, o poder de compra diminui. Antecipar consumo com dívida cara pode comprometer a renda futura em um cenário ainda incerto. A combinação de petróleo valorizado, dólar pressionado e juros elevados forma um cenário que exige atenção redobrada. Mesmo longe dos conflitos internacionais, famílias brasileiras podem sentir os efeitos rapidamente no custo de vida e no orçamento doméstico.

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