Gastronomia & Turismo • 15:45h • 03 de janeiro de 2026
Guia turístico traz roteiros ligados à cultura afro-brasileira
Iniciativa faz diagnóstico sobre afroturismo em todas regiões do país
Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência Brasil | Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
O Guia do Afroturismo no Brasil – Roteiros e Experiências da Cultura Afro-Brasileira, lançado nesta semana pelo Ministério do Turismo, apresenta um diagnóstico sobre o afroturismo no país, mapeando experiências e serviços turísticos protagonizados por pessoas negras, além de identificar boas práticas nacionais e internacionais e apoiar a formulação de políticas públicas para o setor.
A iniciativa busca reconhecer essa contribuição, valorizar espaços de memória e resistência e também promover a reconexão com o passado, o resgate da ancestralidade, o fortalecimento do presente e a construção de um futuro de valorização da cultura negra.
O guia organiza as experiências por macrorregiões e por tipo de atividade, com opções que incluem visitas a quilombos e terreiros, circuitos gastronômicos, museus e feiras culturais.
O material destaca a diversidade da cultura afro-brasileira e evidencia o potencial do turismo como instrumento de geração de renda, fortalecimento da identidade cultural e valorização do patrimônio histórico material e imaterial.
Entre os exemplos está a visita ao Parque Memorial Quilombo dos Palmares, na Serra da Barriga, em Alagoas, onde o visitante conhece a história de um dos mais importantes quilombos do país. Outro destaque é o Quilombo Cultural, em São Luís, no Maranhão, que oferece uma vivência no maior quilombo urbano da América Latina.
O roteiro permite conhecer diversas manifestações culturais, como reggae, cacuriá, tambor de crioula, bumba meu boi, blocos afros e tradicionais, além de elementos da religiosidade de matriz africana.
Outro exemplo é o Terreiro de Candomblé Alarokê, em São Cristóvão, Sergipe, a quarta cidade mais antiga do Brasil. O visitante participa de rodas de conversa, oficinas de dança afro e percussão, experimenta a gastronomia tradicional e assiste a apresentações artísticas que revelam os saberes e a espiritualidade dos povos de axé.
Em Salvador, na Bahia, é possível conhecer o Terreiro do Gantois, um dos mais respeitados do Candomblé no país, e também o Memorial Mãe Menininha do Gantois e o Centro Comunitário Mãe Carmen, espaços dedicados ao fortalecimento cultural e social.
Na cidade de Cachoeira, na Bahia, o Quilombo Kaonge oferece atividades como a produção artesanal de farinha e azeite de dendê no pilão, a preparação de xaropes com ervas medicinais e conversas sobre a moeda local, o Sururu.
Em Macapá, no Amapá, o turista pode visitar a Rota dos Barracões, no Marabaixo, mergulhando na história viva da capital, contada por moradores descendentes de famílias que ajudaram a construir a Fortaleza de São José e mantêm tradições da cultura afro-amazônica.
No Centro-Oeste, o território Kalunga, em Goiás, abrange as cidades de Monte Alegre de Goiás, Teresina de Goiás e Cavalcante, onde trilhas e cachoeiras como a Santa Bárbara atraem visitantes.
O guia também reúne roteiros como o Circuito da Memória Negra, em Petrópolis, no Rio de Janeiro, e a Pequena África, na capital fluminense.
Outra sugestão é o roteiro do Manguebeat, no Recife, que apresenta a trajetória de Chico Science e as influências afro-brasileiras como coco de roda, ciranda e maracatu. O material também recomenda uma visita à galeria subterrânea de ouro da Mina Du Veloso, em Ouro Preto, Minas Gerais, parte de um sítio arqueológico com estruturas remanescentes da mineração do século XVIII.
Segundo o Ministério do Turismo, a elaboração do guia contou com um formulário público pelo qual empreendedores negros, comunidades tradicionais e gestores puderam indicar experiências em seus territórios.
A curadoria selecionou 43 iniciativas afrocentradas, com critérios como presença no Mapa do Turismo Brasileiro, atuação de afroempreendedores e regularidade no Cadastur.
As regiões Nordeste e Sudeste concentram 16 roteiros cada, seguidas pelo Norte, com cinco; Centro-Oeste, com quatro; e Sul, com dois roteiros.
O ministério afirma que o afroturismo é uma das prioridades da atual gestão, por meio do Programa Rotas Negras, criado para fomentar o segmento, fortalecer comunidades negras e destacar a cultura afro-brasileira no cenário turístico nacional e internacional.
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