Saúde • 09:04h • 22 de janeiro de 2025
Hanseníase: campanha chama atenção para importância do diagnóstico precoce
Enfermidade integra o Programa Brasil Saudável, que busca eliminar doenças que afetam mais ou somente pessoas em áreas de maior vulnerabilidade social
Da Redação com informações de Agência Gov | Foto: Arquivo Âncora1
O Brasil ocupa a segunda posição mundial em número de novos casos de hanseníase diagnosticados anualmente. Mesmo com a redução gradual na taxa de detecção ao longo dos anos, os números ainda são expressivos, especialmente em regiões com maior vulnerabilidade social. O país apresentou uma taxa de 10,68 casos por 10 mil habitantes, sendo classificado como de alta endemicidade. As regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste apresentam os índices mais preocupantes, com alta ou muito alta endemicidade. Em 2023, quase metade dos municípios brasileiros (49,9%) notificaram ao menos um caso da doença.
A campanha deste ano, "Hanseníase, Conhecer e Cuidar, de Janeiro a Janeiro", tem o objetivo de promover ações contínuas de informação e conscientização sobre a doença ao longo de todo o ano. A iniciativa busca disseminar conhecimento sobre a hanseníase, além de enfrentar os estigmas associados à doença e fomentar o enfrentamento das barreiras sociais que dificultam seu diagnóstico e tratamento, com a ajuda de estados e municípios.
Abandono do tratamento
Um dos principais desafios no controle da hanseníase é o abandono do tratamento. Entre 2014 e 2023, o Brasil registrou 247,1 mil novos casos de hanseníase, dos quais 6,6% foram encerrados por abandono. Esse índice passou de 4,5% em 2014 para 8% em 2023, um aumento de 78,7%. O abandono compromete a eficácia do tratamento, aumenta o risco de complicações graves, promove a resistência antimicrobiana e perpetua a transmissão da doença.
A Hanseníase integra o Programa Brasil Saudável que tem o objetivo de eliminar doenças determinadas socialmente – isto é, doenças que afetam mais ou somente pessoas em áreas de maior vulnerabilidade social. A iniciativa está alinhada às diretrizes e metas da Agenda 2030 – Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, da Organização das Nações Unidas e à iniciativa da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) para a eliminação de doenças nas Américas. Assim, as ações do programa vão além do setor saúde, dialogando com outros setores do governo relacionados à moradia, renda, ao acesso ao saneamento básico e à educação, entre outras políticas públicas.
“Primeira campanha educativa que participei gerou 35% a mais de diagnóstico de casos. Toda vez que há divulgação, há aumento da disseminação da informação e diagnóstico”. Essa é a fala de Maria Leide de Oliveira, médica capixaba que exerceu a profissão por 45 anos, mas continua ativa na causa contra a hanseníase. De acordo com ela, campanhas como o Janeiro Roxo auxiliam não só na divulgação, mas na discussão sobre o assunto, na construção de rodas de conversa e na avaliação de como as informações tem chegado à população.
“O Brasil possui campanhas feitas pelo Ministério da Saúde, estados e municípios que lutam pela desinformação, prova disso é o controle da doença no país. Esse é o caminho: falar de hanseníase nas comunidades, acabar com o estigma, a vergonha e o preconceito”, diz Leide
Dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) revelam que os casos notificados aumentam geralmente no primeiro semestre, especialmente entre janeiro e maio, possivelmente influenciados pelo impacto das campanhas de conscientização do Janeiro Roxo. Por outro lado, observa-se uma redução nos registros nos últimos meses do ano.
O que é a Hanseníase?
A hanseníase é uma doença infecciosa crônica, causada pelo Mycobacterium leprae. Sem diagnóstico e tratamento precoces, pode causar deficiências físicas permanentes e exclusão social.
Sinais e sintomas comuns:
- Manchas (brancas, avermelhadas ou marrons) com alteração na sensibilidade ao calor, frio, dor ou toque.
- Espessamento de nervos periféricos, causando alterações motoras ou autonômicas.
- Áreas com redução de pelos e suor.
- Formigamento, fisgadas e diminuição de força muscular (principalmente nas extremidades).
- Nódulos dolorosos em casos mais graves.
Transmissão
A hanseníase é transmitida pelas vias aéreas superiores (espirro, tosse ou fala), geralmente após contato prolongado com pacientes não tratados na forma contagiosa (multibacilar). Objetos pessoais não transmitem a doença.
Diagnóstico e tratamento
O diagnóstico é clínico, com exames dermatológicos e neurológicos. O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece tratamento gratuito com poliquimioterapia (rifampicina, dapsona e clofazimina). O tratamento dura de seis a doze meses, dependendo da forma clínica, e interrompe a transmissão nos primeiros dias de uso.
Aviso legal
Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução, integral ou parcial, do conteúdo textual e das imagens deste site. Para mais informações sobre licenciamento de conteúdo, entre em contato conosco.
Últimas Notícias
As mais lidas do mês
Política
Lula ou Flávio Bolsonaro? Veja onde consultar propostas, histórico e informações antes de votar
Programas de governo em PDF, registros do Senado, despesas federais e plataformas de checagem permitem comparar os candidatos à Presidência com informações oficiais e documentos públicos