Saúde • 13:14h • 17 de maio de 2026
Hantavírus: infectologista da HU Brasil explica transmissão, sintomas e prevenção
Surto em cruzeiro internacional reacende alerta sobre a infecção viral transmitida por roedores silvestres
Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência SP | Foto: Arquivo Âncora1
Casos confirmados de hantavírus em um cruzeiro no Oceano Atlântico colocaram a doença no centro da atenção internacional. Até o momento, a Organização Mundial da Saúde (OMS) confirmou sete infecções entre passageiros do navio MV Hondius, incluindo três mortes. Apesar do alerta sanitário e do monitoramento realizado em diferentes países, a própria OMS considera baixo o risco de disseminação em larga escala.
Os hantavírus circulam principalmente entre roedores silvestres e podem infectar seres humanos em situações de exposição ambiental, especialmente em áreas rurais, florestais ou agrícolas. No Brasil, dados do Ministério da Saúde apontam que, entre 2007 e 2024, foram confirmados 1.386 casos da doença, com 540 mortes no período. Embora seja considerada rara, a infecção pode evoluir rapidamente para quadros graves, principalmente quando compromete pulmões e coração.
No Pará, o Hospital Universitário João de Barros Barreto (HUJBB), vinculado ao Complexo Hospitalar da Universidade Federal do Pará (CHU-UFPA) e integrante da Rede HU Brasil, é referência no tratamento de doenças infectocontagiosas.
Segundo a infectologista Rita Medeiros, gerente de Atenção à Saúde do HUJBB, a transmissão ocorre por meio do contato com secreções de roedores infectados.
“É uma doença viral transmitida por vírus presentes nas excretas desses animais, como fezes, urina e saliva. A partir desse contato, podem se formar aerossóis que permanecem suspensos no ar, especialmente em ambientes fechados por longos períodos, e acabam sendo inalados pelas pessoas”, explica.
Os sintomas iniciais incluem febre, dores no corpo, mal-estar, dor de cabeça, náuseas e cansaço. Nas Américas, incluindo o Brasil, a doença pode evoluir rapidamente para comprometimento pulmonar e cardíaco, provocando falta de ar intensa e insuficiência respiratória. Já em países da Europa e da Ásia, são mais comuns manifestações hemorrágicas e renais.
Apesar da repercussão internacional do surto no cruzeiro, a especialista afirma que não há motivo para pânico. A transmissão entre pessoas é considerada extremamente rara e está associada apenas à variante andina do vírus, identificada em alguns países da América do Sul e confirmada entre passageiros do navio.
“A contagiosidade é muito baixa porque é necessário contato muito próximo e prolongado com a pessoa doente”, ressalta Rita Medeiros.
A OMS também informou que o cenário atual não apresenta características de pandemia. Segundo a entidade, os casos seguem restritos e não há evidências de transmissão em cadeia semelhante ao observado em doenças respiratórias altamente contagiosas, como a Covid-19.
Embora a hantavirose apresente taxas elevadas de letalidade, a médica destaca que a maioria dos pacientes evolui para recuperação quando recebe atendimento adequado.
“A cura é a regra. A doença é aguda e produz resposta imunológica duradoura”, afirma.
Atualmente, não existe vacina nem tratamento antiviral específico contra os hantavírus. Por isso, o diagnóstico precoce e o suporte médico são fundamentais para reduzir complicações e aumentar as chances de recuperação.
No HUJBB, o atendimento a doenças infecciosas integra uma das áreas de referência da instituição, que atua em assistência, ensino, pesquisa e inovação voltados às doenças infecciosas e tropicais na região amazônica.
Entre as principais medidas de prevenção estão o controle de roedores e os cuidados na limpeza de ambientes fechados ou com sinais de infestação. A recomendação é evitar levantar poeira em locais sem ventilação e utilizar equipamentos de proteção durante a limpeza.
“Ao chegar em uma casa de campo ou sítio fechado por muito tempo, o ideal é primeiro deixar o ambiente ventilado antes da limpeza. O uso de máscara é recomendado, especialmente em locais com poeira ou presença de excretas de animais”, orienta a infectologista.
O Complexo Hospitalar da Universidade Federal do Pará integra a Rede HU Brasil desde 2015. Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a rede administra 45 hospitais universitários federais em diferentes estados do país, atuando na assistência à população pelo Sistema Único de Saúde (SUS), além da formação de profissionais e desenvolvimento de pesquisas na área da saúde.
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