Saúde • 11:24h • 04 de julho de 2026
Hepatites virais: conheça os tipos, sintomas e formas de prevenção
Muitas infecções evoluem sem sintomas e podem causar danos graves ao fígado. Vacinação, diagnóstico precoce e hábitos de prevenção são as principais formas de combate
Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações do Butantan | Foto: José Felipe Batista/Comunicação Instituto Butantan
As hepatites virais são infecções que atingem o fígado e, na maioria dos casos, evoluem de forma silenciosa, dificultando o diagnóstico precoce. Embora fadiga, febre, mal-estar, náuseas, dor abdominal, urina escura e pele amarelada estejam entre os sintomas mais conhecidos, muitas pessoas infectadas não apresentam sinais da doença.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 304 milhões de pessoas vivem com hepatites B ou C em todo o mundo. Essas duas formas da doença são responsáveis por mais de um milhão de mortes por ano devido às complicações, como cirrose e câncer de fígado. No Brasil, entre 2000 e 2024, foram registrados mais de 800 mil casos e aproximadamente 45 mil mortes relacionadas às hepatites A, B, C e D.
Especialistas alertam que um dos principais desafios no controle dessas doenças é o grande número de pessoas que desconhecem estar infectadas, o que favorece a transmissão e atrasa o início do tratamento.
Hepatite A
Transmitida principalmente pela ingestão de água ou alimentos contaminados e pelo contato fecal-oral, a hepatite A está relacionada às condições de saneamento básico e higiene. A doença costuma causar febre, mal-estar, dores musculares, náuseas, vômitos, diarreia, dor abdominal e, em alguns casos, icterícia.
Diferentemente das hepatites B e C, a hepatite A raramente evolui para formas crônicas e, na maioria das vezes, apresenta recuperação espontânea. Não existe tratamento específico, sendo recomendados repouso, hidratação e alimentação equilibrada.
A principal forma de prevenção é a vacinação, além da higiene adequada das mãos, do consumo de água tratada, da correta higienização dos alimentos e da adoção de práticas sexuais seguras.
Hepatite B
A hepatite B é transmitida pelo contato com sangue e outros fluidos corporais contaminados. As principais formas de transmissão incluem relações sexuais desprotegidas, compartilhamento de seringas, materiais perfurocortantes, tatuagens e piercings sem esterilização adequada, além da transmissão da mãe para o bebê durante o parto.
A infecção pode permanecer silenciosa por muitos anos e evoluir para formas crônicas, aumentando o risco de cirrose e câncer de fígado. O risco de cronificação é muito maior quando a infecção ocorre nos primeiros meses de vida.
A vacinação é considerada a principal medida de prevenção, devendo a primeira dose ser aplicada ainda nas primeiras 24 horas após o nascimento. O uso de preservativos e de materiais esterilizados também reduz significativamente o risco de transmissão.
Hepatite C
A hepatite C é a principal responsável pelas mortes relacionadas às hepatites virais no Brasil. A transmissão ocorre principalmente pelo contato com sangue contaminado, especialmente pelo compartilhamento de agulhas e seringas, além de procedimentos realizados com materiais não esterilizados.
A doença costuma permanecer sem sintomas durante anos e pode evoluir para cirrose e câncer de fígado. Ainda não existe vacina contra esse tipo de hepatite, mas os tratamentos antivirais atuais conseguem curar mais de 95% dos casos, inclusive nas formas crônicas, quando o diagnóstico é realizado precocemente.
A prevenção depende do controle da exposição ao sangue contaminado, da utilização de materiais descartáveis ou esterilizados e da realização de testes para diagnóstico precoce.
Hepatites D e E
A hepatite D só infecta pessoas que já possuem o vírus da hepatite B, tornando a vacinação contra a hepatite B uma forma indireta de proteção também contra esse tipo.
Já a hepatite E é transmitida principalmente por água e alimentos contaminados, de forma semelhante à hepatite A. Na maioria dos casos, a doença desaparece espontaneamente, mas pode causar complicações graves em gestantes, especialmente no terceiro trimestre da gravidez.
Diagnóstico precoce e metas para eliminar a doença
O Brasil tem registrado avanços importantes no combate às hepatites virais, com aumento da cobertura vacinal contra a hepatite B em recém-nascidos e redução da mortalidade associada às hepatites B e C.
Mesmo assim, o diagnóstico tardio continua sendo um dos principais obstáculos para controlar a doença. A Organização Mundial da Saúde estabeleceu como meta eliminar as hepatites virais como problema de saúde pública até 2030, reduzindo em 90% as novas infecções e em 65% as mortes causadas pelas doenças.
Especialistas reforçam que a realização periódica de exames de sangue, a vacinação e o acesso ao tratamento são fundamentais para interromper a transmissão dos vírus, evitar complicações graves e aumentar as chances de cura.
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