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Variedades • 15:32h • 04 de julho de 2026

Heróis de quatro patas: saiba como é o treinamento dos cães de resgate de SP enviados à Venezuela

Animais do Corpo de Bombeiros de São Paulo integram força-tarefa global com mais de 140 farejadores em busca de vítimas na Venezuela

Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência SP | Foto: Divulgação/Governo de São Paulo

O batalhão do Corpo de Bombeiros tem hoje um efetivo de 4 cães prontos e 3 em formação.
O batalhão do Corpo de Bombeiros tem hoje um efetivo de 4 cães prontos e 3 em formação.

Os cães farejadores Malina, de cinco anos, e Kiara, de um ano e meio, integram a equipe do Corpo de Bombeiros de São Paulo que atua nas buscas por desaparecidos na Venezuela, após dois terremotos atingirem o país. As cadelas fazem parte da missão humanitária enviada pelo Governo de São Paulo para reforçar as operações internacionais de resgate.

Ao todo, mais de 140 cães de busca, provenientes de 21 países, participam da força-tarefa. O Brasil enviou seis animais, sendo dois de São Paulo, dois de Minas Gerais e dois do Paraná. A missão paulista também conta com bombeiros, técnicos da Defesa Civil e dois médicos.

Malina participa de sua segunda missão internacional. Em 2023, atuou nas operações de busca após o terremoto na Turquia e também trabalhou nos resgates durante as enchentes em Porto Alegre. Já Kiara está na fase final do treinamento, que dura cerca de dois anos.

Os cães do Corpo de Bombeiros começam a preparação ainda filhotes, geralmente com cerca de 45 dias de vida. A escolha da raça é uma etapa importante do processo. Segundo a corporação, o Pastor Belga Malinois é o mais utilizado por reunir características como agilidade, resistência, força física e grande disposição para o trabalho em áreas de desastre.

Atualmente, o canil especializado do Corpo de Bombeiros de São Paulo conta com quatro cães prontos para operações e outros três em treinamento. As fêmeas costumam ser preferidas para esse tipo de atividade por apresentarem maior concentração durante o trabalho.

O treinamento é baseado em técnicas de reforço positivo. Inicialmente, os filhotes aprendem a localizar pessoas por meio de brincadeiras de esconde-esconde, associando odores específicos à recompensa com brinquedos. Com o tempo, passam a identificar cheiros humanos simulados e desenvolvem a capacidade de localizar vítimas soterradas.

Nos primeiros meses de vida, os animais também passam por um intenso processo de socialização e adaptação a diferentes ambientes. Eles são treinados para atuar em helicópteros, embarcações, terrenos acidentados, estruturas colapsadas e outros cenários extremos, garantindo que permaneçam tranquilos durante operações reais.

Parceria entre cão e bombeiro

Cada cão trabalha sempre ao lado de um bombeiro-condutor, profissional responsável por interpretar os sinais do animal e conduzir as buscas. O vínculo criado durante o treinamento é considerado essencial para o sucesso das operações.

Quando completam cerca de oito anos de idade, os cães são aposentados. Nessa fase, o bombeiro que acompanhou toda a carreira do animal tem preferência para adotá-lo.

Mesmo com os avanços tecnológicos, os bombeiros destacam que ainda não existe equipamento capaz de substituir a eficiência dos cães farejadores na localização de vítimas sob escombros.

Como são realizadas as buscas

Antes do início das operações, as equipes fazem um mapeamento das áreas com maior probabilidade de haver pessoas soterradas. Os cães são então direcionados para esses locais e realizam a varredura em busca de sinais de sobreviventes ou vítimas.

Após a inspeção de um animal, outro cão percorre o mesmo trecho para confirmar o resultado. Quando não há indícios de pessoas sob os escombros, a área é liberada.

Os cães conseguem identificar bolsões de ar contendo odores humanos e também gases produzidos durante o processo de decomposição, o que permite localizar vítimas mesmo sob grandes volumes de destroços. Para desenvolver essa capacidade, o treinamento inclui o contato com odores biológicos e compostos sintéticos que reproduzem o cheiro humano.

Enquanto as buscas avançam e o tempo reduz as chances de encontrar sobreviventes, a equipe brasileira segue atuando ao lado de profissionais de diversos países para localizar vítimas e apoiar as operações de resgate na Venezuela.

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