Variedades • 19:36h • 05 de junho de 2026
Homens estão fazendo mais cirurgias abdominais e especialistas alertam para erro comum na recuperação
Crescimento da busca masculina por lipoaspiração e abdominoplastia acende debate sobre postura, mobilidade e função do abdômen no pós-operatório
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Novais Assessoria | Foto: Arquivo/Âncora1
Nos últimos anos, o número de homens buscando cirurgias estéticas cresceu de forma expressiva no Brasil, principalmente em procedimentos ligados à definição corporal e à região abdominal. Lipoaspiração e abdominoplastia deixaram de ser intervenções associadas majoritariamente ao público feminino e passaram a fazer parte também da rotina de homens que buscam mudanças na aparência, autoestima e composição física.
Mas junto com esse crescimento, especialistas começaram a observar outro movimento: muitos pacientes ainda tratam o pós-operatório apenas como uma etapa de cicatrização estética, sem considerar os impactos funcionais que essas cirurgias provocam no corpo.
Dados da Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética mostram que o Brasil realizou cerca de 2,35 milhões de cirurgias plásticas em 2024. Entre os procedimentos mais frequentes estão justamente as intervenções abdominais. A lipoaspiração liderou o ranking nacional, com mais de 289 mil cirurgias, enquanto a abdominoplastia apareceu entre as mais realizadas do país.
No público masculino, o avanço também chama atenção. Segundo a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, os homens já representam cerca de 30% dos procedimentos estéticos realizados atualmente no Brasil, percentual muito superior ao registrado poucos anos atrás.
Recuperação vai além da cicatriz
Para a fisioterapeuta Dra. Mariana Milazzotto, um dos principais erros está em enxergar a cirurgia apenas pelo resultado visual. Segundo ela, o abdômen participa diretamente de funções importantes do corpo, como postura, respiração, equilíbrio e estabilização do tronco.
Depois de procedimentos como lipoaspiração abdominal e abdominoplastia, o organismo passa por um processo de reorganização que envolve dor, inchaço, rigidez, sensibilidade e limitação temporária de movimentos.
Mariana explica que, quando a recuperação é tratada apenas como espera pela cicatrização, muitos pacientes acabam ignorando alterações importantes relacionadas ao funcionamento do próprio corpo.
Segundo a especialista, não é apenas a aparência que muda após a cirurgia. O paciente pode apresentar postura alterada, movimentos mais limitados, respiração encurtada e receio de realizar atividades simples nos primeiros dias de recuperação.
Abdômen influencia postura, movimento e estabilidade
Especialistas alertam que a parede abdominal possui papel fundamental na sustentação do corpo e participa diretamente de movimentos cotidianos, como caminhar, levantar, tossir, sentar e mudar de posição.
Quando essa funcionalidade não recebe atenção adequada durante a recuperação, o organismo pode começar a compensar movimentos de forma incorreta, principalmente sobrecarregando a região lombar.
Segundo Mariana, isso ajuda a explicar por que alguns pacientes continuam sentindo desconfortos mesmo após a melhora visual da cirurgia. Ela afirma que postura, mobilidade e qualidade do movimento influenciam não apenas o bem-estar durante a recuperação, mas também o próprio resultado estético no médio prazo.
Pós-operatório exige acompanhamento e atenção gradual
Outro ponto destacado pelos especialistas é que o pós-operatório não termina na alta médica. A recuperação costuma continuar durante semanas e exige cuidados progressivos para que o corpo retome suas funções de forma segura.
Entre as orientações mais importantes estão respeitar o tempo de cicatrização, evitar esforços precoces, seguir corretamente as recomendações médicas e fisioterapêuticas e observar sinais persistentes de dor, endurecimento ou limitação dos movimentos.
Segundo Mariana, muitos pacientes acompanham apenas a aparência da cicatriz e deixam de perceber sinais relacionados à funcionalidade corporal. Ela explica que mobilidade, estabilidade e conforto também fazem parte do resultado final da cirurgia, principalmente em procedimentos que alteram diretamente a região abdominal.
Crescimento masculino amplia debate sobre recuperação
O aumento da participação masculina nas cirurgias estéticas também vem mudando a forma como especialistas discutem saúde e recuperação dentro desse universo.
Além da preocupação com aparência e definição corporal, cresce o debate sobre qualidade do movimento, segurança no pós-operatório e preservação funcional do corpo após os procedimentos.
Para especialistas, o resultado de uma cirurgia abdominal não depende apenas do aspecto visual, mas também da forma como o paciente consegue recuperar mobilidade, postura e estabilidade ao longo da recuperação.
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