Saúde • 10:02h • 30 de junho de 2026
Homens idosos que dormem mais de nove horas têm maior risco de perder mobilidade, diz estudo
Estudo acompanhou mais de 3 mil pessoas acima dos 60 ao longo de oito anos e apontou que o mesmo declínio não é observado nas mulheres
Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência SP | Foto: Arquivo Âncora1
Perguntar quantas horas um homem idoso dorme por noite pode ser uma forma simples e de baixo custo de identificar o risco de perda de mobilidade. Um estudo conduzido por pesquisadores brasileiros e britânicos mostrou que homens com mais de 60 anos que dormem mais de nove horas por noite tendem a apresentar redução mais acentuada na velocidade da caminhada ao longo dos anos. A lentidão da marcha é considerada um importante indicador de fragilidade e está associada ao aumento do risco de quedas, hospitalizações, perda de independência e mortalidade.
A pesquisa, realizada por cientistas da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e da University College London, acompanhou durante oito anos 3.208 pessoas com 60 anos ou mais participantes do Estudo Longitudinal Inglês sobre Envelhecimento (ELSA). Foram analisados dados de 1.582 homens e 1.626 mulheres que, no início da pesquisa, não apresentavam dificuldades relacionadas à velocidade da caminhada.
Os resultados, publicados no Journal of the American Medical Directors Association, revelaram que os homens que dormiam mais de nove horas por noite tiveram uma redução significativamente maior na velocidade da marcha, chegando a perder até um quarto da velocidade inicial. Já dormir poucas horas ou apresentar sintomas de insônia não demonstrou impacto sobre a mobilidade masculina. Entre as mulheres, os pesquisadores não encontraram associação entre duração do sono e velocidade da caminhada.
Segundo os autores, o sono prolongado deve ser considerado um possível marcador de risco para perda de mobilidade em homens idosos.
De acordo com o pesquisador Tiago da Silva Alexandre, professor do Departamento de Gerontologia da UFSCar, apesar de dormirem mais tempo, muitos idosos apresentam um sono fragmentado e com menor quantidade de sono profundo. Essa baixa qualidade do descanso reduz a liberação de testosterona, hormônio importante para a manutenção da massa muscular, favorecendo a perda de força e a diminuição da velocidade ao caminhar.
Outro fator apontado pelo estudo é o chamado inflammaging, processo de inflamação crônica de baixa intensidade associado ao envelhecimento. Essa condição contribui para a degradação do tecido musculoesquelético, reduz a produção de proteínas e acelera a perda de massa e força muscular.
Os pesquisadores destacam que manter a musculatura saudável é fundamental durante o envelhecimento, já que o tecido muscular exerce papel importante no funcionamento do sistema imunológico e do sistema endócrino.
No caso das mulheres, o sono prolongado não apresentou efeito significativo sobre a mobilidade. Segundo os autores, isso pode estar relacionado às diferenças hormonais entre os sexos, já que hormônios como o IGF-1 e o hormônio do crescimento (GH) exercem papel mais relevante na preservação da massa muscular feminina do que a testosterona.
Embora mudanças no padrão de sono sejam comuns com o avanço da idade, os especialistas afirmam que o ideal para pessoas idosas é dormir entre seis e nove horas por noite. Dormir mais de nove horas de forma habitual é considerado um comportamento incomum nessa faixa etária e pode indicar maior vulnerabilidade clínica, especialmente entre os homens.
Para os pesquisadores, os resultados reforçam a importância de incluir perguntas sobre a duração do sono nas avaliações de rotina de idosos, permitindo identificar precocemente pessoas com maior risco de perda de mobilidade e adotar estratégias de prevenção.
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