Saúde • 08:01h • 12 de fevereiro de 2026
Homens têm maior risco de doenças cardíacas a partir dos 35 anos
Estudo que acompanhou adultos por mais de 30 anos mostra que a diferença entre homens e mulheres surge na quarta década da vida, principalmente por causa da doença coronariana
Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações do CFF | Foto: Arquivo Âncora1
Homens tendem a desenvolver doenças cardiovasculares mais cedo do que as mulheres, e essa diferença aparece antes do que se estimava. Um estudo que acompanhou mais de 5 mil pessoas por mais de três décadas indica que a divergência no risco surge por volta dos 35 anos, principalmente em relação à doença coronariana, associada ao entupimento das artérias do coração.
Publicado no Journal of the American Heart Association, o trabalho analisou dados do estudo CARDIA, que acompanha adultos desde o início da vida adulta nos Estados Unidos. Os participantes tinham entre 18 e 30 anos ao ingressar na pesquisa, nos anos 1980, e foram monitorados até a meia-idade.
Ao longo do acompanhamento, os homens passaram a apresentar doenças cardiovasculares, em média, sete anos antes das mulheres. Quando analisada especificamente a doença coronariana, principal causa de infarto, a diferença chega a cerca de dez anos. As curvas de eventos começam a se separar de forma consistente a partir dos 35 anos e continuam se distanciando ao longo da vida adulta.
Segundo os autores, essa diferença persiste mesmo após o ajuste para fatores clássicos de risco, como hipertensão, colesterol alto, glicemia e hábitos de vida, o que indica que não pode ser explicada apenas por esses elementos.
Especialistas destacam que os resultados confirmam um padrão já conhecido, agora sustentado por dados mais recentes e de longo prazo. Eles explicam que a maior proteção observada nas mulheres nas primeiras décadas da vida está relacionada, em grande parte, à ação dos hormônios femininos, que favorecem o perfil do colesterol e a saúde dos vasos sanguíneos. Com a menopausa, essa proteção diminui e o risco cardiovascular aumenta.
O estudo também aponta que a diferença entre os sexos é mais evidente na doença coronariana do que em outros problemas cardiovasculares. Para o acidente vascular cerebral, por exemplo, não houve diferença significativa nas idades analisadas, enquanto a insuficiência cardíaca passou a divergir apenas em fases mais avançadas da vida.
O dado considerado mais relevante é o momento em que o risco começa a se separar, indicando que a quarta década de vida é um período-chave para a prevenção. A partir dos 35 anos, as taxas de eventos cardiovasculares em um intervalo de dez anos se tornam significativamente maiores entre os homens.
Na prática, os achados reforçam a importância de iniciar a prevenção mais cedo, especialmente entre homens jovens, mesmo sem sintomas. Avaliar pressão arterial, peso, glicemia e colesterol antes dos 40 anos é fundamental para identificar fatores de risco precocemente.
Especialistas também alertam para que os resultados não levem à minimização do risco nas mulheres. Embora o início das doenças cardiovasculares seja mais tardio em média, elas também podem adoecer precocemente, e a subvalorização de sintomas pode atrasar o diagnóstico e o tratamento.
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