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Mundo • 10:05h • 30 de maio de 2026

Homicídios de mulheres diminuem no Brasil; feminicídios ficam estáveis

Norte e Nordeste concentram maiores números, mostra Atlas da Violência

Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência Brasil | Foto: Marcello Camargo/Agência Brasil

O Levante Mulheres Vivas realiza ato na área central de Brasília para denunciar o feminicídio e todas as formas de violência contra mulheres.
O Levante Mulheres Vivas realiza ato na área central de Brasília para denunciar o feminicídio e todas as formas de violência contra mulheres.

O número de homicídios de mulheres caiu 27,7% no Brasil entre 2014 e 2024, segundo dados do Atlas da Violência 2026, divulgado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). Apesar da redução, o país registrou 46.336 assassinatos de mulheres no período, com maior concentração dos casos nas regiões Norte e Nordeste.

De acordo com o levantamento, a queda foi influenciada principalmente pela redução dos homicídios cometidos fora do ambiente doméstico. A taxa desses crimes passou de 3,47 mortes por 100 mil mulheres, em 2014, para 2,17 em 2024.

Entre os estados, Sergipe e Goiás apresentaram as maiores reduções nas taxas de homicídio feminino ao longo da série histórica, enquanto Roraima e Amazonas registraram os maiores índices de crescimento.

Feminicídios e violência doméstica

Enquanto os homicídios fora de casa diminuíram, os assassinatos de mulheres no ambiente doméstico permaneceram praticamente estáveis, passando de 1,25 para 1,18 caso por 100 mil mulheres. Para os pesquisadores, esse cenário indica que os feminicídios continuam em níveis elevados no país.

Somente em 2024, 3.642 mulheres foram vítimas de feminicídio. Segundo o Atlas, esse tipo de crime representou 40,3% dos homicídios de mulheres registrados entre 2014 e 2024.

O estudo também aponta que a violência não letal contra mulheres segue fortemente associada ao ambiente doméstico. Das 293.842 notificações registradas, cerca de 64% ocorreram dentro de casa. Além disso, quase 80% das agressões aconteceram na residência da vítima, e mais de 66% das mulheres atendidas relataram episódios recorrentes de violência ao longo do mesmo ano.

Os dados mostram ainda que os tipos de violência variam conforme a faixa etária. Entre meninas de 10 a 14 anos, a violência sexual foi a principal ocorrência, representando 45,5% dos casos. Já entre mulheres de 15 a 69 anos, predominou a violência física, frequentemente relacionada a relações íntimas e agressões recorrentes.

O levantamento destaca também a desigualdade racial nos casos de violência letal. Em 2024, mulheres negras representaram 67,5% das vítimas de homicídio feminino no país, com taxa de mortalidade 66,7% superior à registrada entre mulheres não negras.

Ceará, Pernambuco, Espírito Santo, Roraima, Alagoas e Mato Grosso registraram as maiores taxas de homicídios de mulheres negras. Já São Paulo, Sergipe, Distrito Federal, Santa Catarina e Minas Gerais apresentaram os menores índices.

Apesar da redução de 28,6% na taxa de homicídios de mulheres negras ao longo dos últimos 11 anos, os pesquisadores avaliam que os números ainda refletem desigualdades sociais e raciais persistentes no país.

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