Saúde • 09:17h • 06 de junho de 2026
HPV leva a 7,5 mil mortes anuais por câncer no Brasil
Vacinação é a forma mais eficaz de prevenção
Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência Brasil | Foto: Arquivo Âncora1
Os cânceres associados ao HPV provocam cerca de 7,5 mil mortes e 29 mil internações por ano no Brasil, segundo um estudo publicado na revista científica Human Vaccines & Immunotherapeutics. A pesquisa analisou dados do Ministério da Saúde entre 2011 e 2019 e aponta que aproximadamente 85% das pessoas afetadas são mulheres.
O levantamento destaca que grande parte desses casos poderia ser evitada por meio da vacinação e da identificação precoce das chamadas lesões precursoras, que podem ser tratadas antes da evolução para o câncer.
O câncer de colo do útero continua sendo o mais frequente entre as doenças relacionadas ao HPV, representando 74,3% das internações e 77,3% das mortes registradas no período analisado. Ainda assim, os pesquisadores alertam que o vírus também está associado a outros tipos de câncer, como os de vagina, vulva, ânus, pênis, orofaringe, laringe e cavidade oral.
O estudo também identificou aumento nos casos de câncer anal, tanto em hospitalizações quanto em mortalidade. Segundo os pesquisadores, homens que fazem sexo com homens e pessoas imunossuprimidas estão entre os grupos mais vulneráveis.
Outro dado apontado pela pesquisa é o crescimento dos casos de cânceres de cabeça e pescoço relacionados ao HPV entre homens. Nesses casos, diferentemente do câncer de colo do útero, não há lesões precursoras detectáveis, tornando a vacinação a principal forma de prevenção.
Vacinação e diagnóstico precoce são apontados como principais formas de prevenção
Os dados mostram ainda uma mudança na tendência do câncer de colo do útero. Entre 2011 e 2016, houve redução nas internações e mortes relacionadas à doença. Já entre 2016 e 2019, os índices voltaram a crescer.
A análise etária também chama atenção para a incidência precoce do câncer de colo do útero. As internações começam a aumentar de forma significativa a partir dos 30 anos, com média de idade das pacientes em 47 anos. A média de idade das mortes pela doença é de 56 anos.
Especialistas destacam que a baixa adesão ao exame preventivo, conhecido como papanicolau, contribui para o diagnóstico tardio. O procedimento é utilizado para detectar a presença do HPV e identificar lesões precursoras no colo do útero.
No ano passado, o Ministério da Saúde atualizou as diretrizes do rastreamento e passou a recomendar o teste DNA-HPV oncogênico para pessoas entre 25 e 64 anos com útero. O exame identifica não apenas a presença do vírus, mas também os tipos com potencial cancerígeno.
Quando o resultado é negativo, o exame deve ser repetido após cinco anos. Em casos positivos, a recomendação é encaminhamento para exames complementares e eventual tratamento.
A vacinação contra o HPV está disponível no Sistema Único de Saúde (SUS) desde 2014 e é recomendada para crianças e adolescentes de 9 a 14 anos, faixa etária em que a proteção é considerada mais eficaz. O Ministério da Saúde também mantém campanhas de resgate vacinal para jovens de até 19 anos que não receberam a vacina no período indicado.
Além desse público, a imunização também é indicada para pessoas imunodeprimidas, vítimas de violência sexual, usuários de profilaxia pré-exposição ao HIV (PrEP), pacientes com papilomatose respiratória recorrente e pessoas que já tiveram lesões pré-cancerosas de alto grau.
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