Saúde • 11:49h • 30 de novembro de 2025
HPV também ameaça a saúde do homem, e desconhecimento ainda é alto, aponta pesquisa
Estudo revela que apenas 34% dos homens sabem da relação entre o vírus e o câncer, enquanto vacinação masculina segue abaixo da meta nacional
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Bowler Assessoria | Foto: Arquivo/Âncora1
Um dos principais desafios da saúde pública no Brasil permanece pouco debatido: o impacto do HPV entre os homens. Embora o vírus seja amplamente conhecido por sua relação com o câncer de colo do útero, o HPV também está ligado a tumores que afetam diretamente os homens, como câncer de pênis, ânus e orofaringe. Mesmo assim, a falta de informação continua sendo um obstáculo significativo na prevenção masculina.
Dados de um estudo realizado pela farmacêutica MSD com apoio da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) mostram que 64% dos homens desconhecem que o HPV pode causar câncer, e apenas 34% reconhecem a infecção como fator de risco para tumores. A pesquisa ouviu 300 brasileiros entre 22 e 45 anos e evidenciou que equívocos ainda são comuns: 54% acreditam, erroneamente, que o vírus não causa verrugas genitais, 49% não sabem que exames regulares ajudam na detecção precoce e 45% consideram o uso de preservativo suficiente para proteção.
O médico Dr. Fernando Yamauchi, coordenador de tomografia e ressonância magnética no Delboni e Lavoisier, ressalta que o HPV é uma infecção silenciosa, capaz de permanecer sem sintomas por anos. Isso contribui para que muitos homens não saibam que são portadores e, consequentemente, mantenham a transmissão. Ele reforça que a prevenção deve considerar diagnóstico precoce, informação e vacinação. O imunizante é gratuito para grupos específicos e altamente eficaz na proteção contra tipos do vírus associados a lesões e tumores.
Apesar dos avanços, a cobertura vacinal masculina ainda está aquém da meta. Dados do Ministério da Saúde indicam que 67% dos meninos entre 9 e 14 anos foram vacinados em 2024, abaixo dos 80% recomendados pela Organização Mundial da Saúde (OMS). A imunização dos meninos protege individualmente e também reduz a circulação do vírus, ampliando a proteção indireta das mulheres.
Para os especialistas, ampliar o diálogo é urgente. O Dia Internacional do Homem tem sido apontado como oportunidade para reforçar temas como autocuidado, saúde sexual e responsabilidade compartilhada. O principal desafio segue sendo cultural: desconstruir a ideia de que HPV é uma preocupação restrita às mulheres e incentivar que a prevenção comece cedo, com informação, vacina e acompanhamento contínuo.
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