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Educação • 17:35h • 15 de maio de 2026

IA agêntica muda rotina das universidades e amplia desafios para lideranças no ensino superior

Especialista Leonardo Ribeiro afirma que avanço da inteligência artificial exige novas competências, governança e reorganização das relações de trabalho nas instituições

Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Iam Assessoria | Foto: Arquivo/Âncora1

Inteligência artificial muda papel de professores e gestores no ensino superior
Inteligência artificial muda papel de professores e gestores no ensino superior

A chegada da inteligência artificial agêntica às universidades vem provocando mudanças profundas na gestão acadêmica, na atuação docente e na organização institucional do ensino superior. Diferente das ferramentas tradicionais de IA generativa, que apenas respondem comandos, os novos sistemas conseguem executar tarefas de forma autônoma, tomar decisões operacionais e atuar diretamente em processos educacionais. Para Leonardo Ribeiro, diretor da ZRG Partners Brasil, o principal desafio agora deixou de ser tecnológico e passou a ser humano e estratégico.

O debate ganhou força após o Canvas lançar, em março de 2026, um agente de ensino integrado à própria plataforma educacional. O movimento consolidou uma transformação que já vinha ocorrendo em universidades de diferentes países, incluindo experiências nos Estados Unidos e no Canadá com tutores inteligentes, agentes acadêmicos e sistemas automatizados de apoio à aprendizagem.

Segundo Leonardo Ribeiro, o impacto da IA agêntica altera diretamente a forma como instituições lideram pessoas, desenvolvem cultura organizacional e estruturam processos internos. “A inteligência artificial deixou de funcionar apenas como ferramenta de apoio e passou a atuar como agente ativo dentro das instituições”, analisa o especialista.

IA deixa de apenas responder e passa a executar tarefas

A principal diferença entre a IA generativa e a IA agêntica está na autonomia operacional. Enquanto sistemas generativos respondem perguntas ou criam conteúdos a partir de comandos, os agentes inteligentes recebem objetivos e executam etapas de maneira independente.

O Gartner projeta que, até 2028, um terço dos aplicativos empresariais contará com agentes integrados. No ensino superior, esse cenário já começa a ganhar escala em universidades que utilizam sistemas capazes de monitorar desempenho acadêmico, responder dúvidas de estudantes, apoiar orientações pedagógicas e automatizar fluxos administrativos.

Leonardo Ribeiro destaca que esse avanço não reduz a importância do trabalho humano dentro das universidades, mas muda a natureza das funções exercidas.

Segundo ele, competências relacionadas ao julgamento pedagógico, pensamento crítico, mediação ética e relações interpessoais passam a ser ainda mais valorizadas diante do crescimento da automação. “O papel docente não perde relevância. O que muda é a forma como ele se posiciona dentro de ambientes cada vez mais integrados com agentes inteligentes”, afirma.

Liderança, cultura e capacitação entram no centro do debate

O avanço da IA agêntica também exige mudanças na forma como gestores conduzem equipes e processos dentro das instituições de ensino. Pesquisa da EDUCAUSE aponta que, em 2025, 57% das universidades já tratavam inteligência artificial como prioridade estratégica. Mesmo assim, especialistas alertam que investimentos em tecnologia sem preparação adequada das pessoas tendem a gerar baixa adesão e pouco impacto institucional.

No Brasil, o IEEE já sinalizou preocupações relacionadas à infraestrutura, educação digital e governança da inteligência artificial agêntica. Leonardo Ribeiro avalia que o desafio não está apenas na adoção dos sistemas, mas principalmente na capacidade das instituições de preparar docentes e equipes para trabalhar em conjunto com essas tecnologias. “Capacidade institucional não se constrói apenas com software. Ela depende de formação, cultura organizacional e desenvolvimento humano”, destaca.

A discussão sobre governança também ganhou força nos últimos anos. Em 2025, a Universidade de São Paulo criou o GPGAIA, grupo de pesquisa voltado à governança de agentes de inteligência artificial. O objetivo é estruturar regras, responsabilidades e critérios de supervisão para sistemas com autonomia operacional.

Novas funções começam a surgir nas universidades

A transformação digital também vem criando novas demandas profissionais dentro das instituições de ensino superior. Segundo estudos recentes citados por Leonardo Ribeiro, o papel do professor passa por uma evolução gradual: primeiro como adotante de tecnologia, depois como mediador ético e agora como designer de ambientes de aprendizagem integrados a agentes inteligentes.

Além da formação docente, universidades começam a discutir a criação de novas funções administrativas ligadas à supervisão de sistemas de IA, integração de dados e governança tecnológica.

O crescimento da demanda por especialização já aparece nos indicadores educacionais. Dados recentes apontam que os cursos de pós-graduação em inteligência artificial cresceram 128% entre 2024 e 2025. Para o diretor da ZRG Partners Brasil, as instituições que conseguem avançar de forma mais estruturada são aquelas que colocam as pessoas no centro da estratégia tecnológica.

Entre as principais questões que passam a orientar esse processo estão a preparação das equipes docentes, a comunicação interna sobre o uso da IA, a criação de funções de governança e a preservação da experiência humana no ambiente educacional.

“A IA agêntica já está dentro das universidades. O que vai definir os resultados não é apenas qual sistema foi contratado, mas como as pessoas irão trabalhar com ele”, conclui Leonardo Ribeiro.

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