Política • 14:18h • 24 de setembro de 2026
IA e vídeos falsos superam fake news entre as principais ameaças digitais reais às eleições
Novo guia do CGI.br aponta deepfakes mais realistas, circulação em múltiplas plataformas e conteúdos direcionados a perfis específicos entre os desafios do atual ciclo eleitoral
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da EBC | Foto: Arquivo/Âncora1
Vídeos falsos produzidos com inteligência artificial e conteúdos de baixa qualidade ganharam protagonismo entre os riscos digitais para as Eleições 2026, em um cenário diferente daquele observado em 2018. A avaliação consta na nova edição do Guia Internet, Democracia e Eleições, publicada pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), que alerta para deepfakes cada vez mais realistas e para novas formas de disseminação de desinformação.
Segundo o documento, as redes abertas, como o Facebook, perderam a centralidade observada em ciclos anteriores, enquanto ambientes mais restritos, como o WhatsApp, passaram a ter maior importância na circulação. A desinformação também se espalha simultaneamente por diferentes plataformas, com o vídeo ocupando papel central e frequentemente acompanhado por textos curtos que buscam dar credibilidade à narrativa apresentada.
A inteligência artificial generativa, que já apareceu no ciclo eleitoral de 2022, chega a 2026 com ferramentas mais avançadas para produzir imagens, vídeos e textos e direcionar conteúdos a públicos específicos. O CGI.br chama atenção especialmente para o realismo das deepfakes, capaz de dificultar a identificação de manipulações até por pessoas habituadas a avaliar conteúdos digitais.
Conteúdo falso pode aumentar desconfiança até sobre o que é verdadeiro
Um dos efeitos apontados pelo guia vai além de fazer alguém acreditar em determinado vídeo falso. A multiplicação de conteúdos manipulados também pode gerar uma desconfiança generalizada, fazendo com que materiais autênticos sejam colocados em dúvida.
O documento destaca ainda a tendência de usuários consumirem informações compatíveis com suas próprias convicções e descartarem aquelas que as contrariam, comportamento que pode reforçar divisões ideológicas.
A publicação também diferencia a atuação de influenciadores digitais do trabalho jornalístico, destacando que os primeiros não estão submetidos aos mesmos códigos de ética e mecanismos institucionais de responsabilização profissional.
Disponível no site do CGI.br, o guia explica o funcionamento de sistemas de recomendação, inteligência artificial generativa, deepfakes e modelos de linguagem, além de apresentar orientações para identificar e evitar a disseminação de conteúdos falsos ou enganosos.
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