Mundo • 09:01h • 28 de fevereiro de 2025
IBGE: número de crianças na creche triplica no Brasil em duas décadas
Em 2022, quase 40% das crianças de até 3 anos cursavam ensino infantil
Agência Brasil | Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
A presença de crianças de até 3 anos na educação infantil cresceu significativamente nas últimas décadas, atingindo 33,9% em 2022, de acordo com o Censo Demográfico do IBGE. Esse número é 3,6 vezes maior do que o registrado no Censo 2000, que apontava uma taxa de apenas 9,4%. Ainda assim, o país segue distante da meta do Plano Nacional de Educação (PNE), que prevê atendimento a pelo menos 50% dessa faixa etária até 2025.
Atualmente, apenas 646 municípios brasileiros atingiram esse objetivo. Regionalmente, o Sudeste e o Sul lideram com taxas acima da média nacional, registrando 41,5% e 41%, respectivamente. O Centro-Oeste (29%) e o Nordeste (28,7%) aparecem abaixo da média, enquanto o Norte tem o menor índice, com apenas 16,6%.
O acesso à educação também cresceu para crianças de 4 a 5 anos. A taxa de matrícula subiu de 51,4% em 2000 para 80,1% em 2010 e chegou a 86,7% em 2022. Nessa faixa etária, a desigualdade regional é menor, com Nordeste (89,7%), Sudeste (88,9%), Sul (86,7%) e Centro-Oeste (80,5%) acima da média. O Norte, embora ainda ocupe a última posição, registrou 76,2%, um percentual próximo à média nacional. No entanto, a meta de universalização do ensino para essa idade, estabelecida para 2016, ainda não foi alcançada.
Avanços e desafios no ensino fundamental e médio
A frequência escolar entre crianças e adolescentes de 6 a 17 anos também avançou. Em 2022, 98,3% das crianças de 6 a 14 anos estavam na escola, um aumento em relação aos 93,1% registrados em 2000. Entre os adolescentes de 15 a 17 anos, a taxa subiu de 77,4% para 85,3%.
Já na faixa etária de 18 a 24 anos, a participação caiu de 31,3% para 27,7% no período. No entanto, essa redução está ligada à diminuição do número de jovens cursando a educação básica. Em 2000, a maioria (44,3%) dos estudantes dessa idade ainda estava no ensino médio, enquanto apenas 23,6% cursavam o ensino superior. Em 2022, esse cenário se inverteu: 56,4% dos estudantes de 18 a 24 anos estavam no ensino superior, enquanto 35,8% seguiam no ensino médio e 7,8% ainda frequentavam o ensino fundamental.
Outro ponto positivo é a redução do atraso escolar entre adolescentes de 15 a 17 anos. Em 2010, 38,9% dos jovens dessa faixa etária ainda estavam no ensino fundamental ou em cursos de alfabetização. Em 2022, esse percentual caiu para 26,8%. Paralelamente, a proporção de estudantes cursando ensino médio ou superior – considerados adequados para a idade – subiu de 61,1% para 73,2%. Ainda assim, um quarto desses adolescentes segue em etapas anteriores ao esperado.
Acesso desigual para populações indígenas
Os dados do Censo 2022 revelam que o acesso à educação entre povos indígenas ainda é muito inferior ao da média nacional. Apenas 13,5% das crianças indígenas de até 3 anos frequentam creches ou escolas, muito abaixo da taxa geral de 33,9%.
Essa desigualdade se repete em outras faixas etárias. Entre crianças indígenas de 4 e 5 anos, a taxa de escolarização é de 66,3%, enquanto a média nacional é de 86,7%. Já entre os indígenas de 6 a 14 anos, 92,1% estão na escola, ante os 98,3% registrados para a população em geral. Entre 15 e 17 anos, o percentual é de 78,4%, abaixo da média nacional de 85,3%.
Apesar dos avanços no acesso à educação nos últimos anos, os desafios permanecem, especialmente para as populações mais vulneráveis e para o cumprimento das metas do Plano Nacional de Educação.
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