Economia • 07:09h • 02 de julho de 2026
Inadimplência bate recorde e atinge 8,5 milhões de pequenos negócios no Brasil
Especialista alerta que falta de planejamento financeiro e uso inadequado do crédito agravam o endividamento de micro e pequenas empresas
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Weber | Foto: Divulgação
A inadimplência entre micro e pequenas empresas alcançou um novo recorde no Brasil. Dados da Serasa Experian mostram que, na virada de 2025 para 2026, o país registrou 8,9 milhões de CNPJs negativados, dos quais 8,5 milhões pertencem a micro e pequenas empresas (MPEs). Juntas, elas acumulam mais de R$ 210 bilhões em dívidas.
O cenário é influenciado pelo custo mais elevado do crédito. Com a taxa Selic em torno de 13% ao ano e a inflação ainda pressionando a economia, os empréstimos ficaram mais caros e os critérios para obtenção de financiamento se tornaram mais rigorosos.
Crédito pode impulsionar ou comprometer o negócio
Segundo Rita de Cassia Carolino, coordenadora da Pós-graduação em Administração Financeira da EAD UniCesumar, muitos empreendedores acabam agravando a situação financeira por desconhecer conceitos básicos de gestão.
"É comum que empresários analisem apenas o valor da parcela e deixem de considerar o Custo Efetivo Total (CET). Também há quem utilize empréstimos de curto prazo para financiar projetos de longo prazo ou procure crédito apenas quando o caixa já está comprometido. Esse conjunto de decisões favorece o superendividamento", explica.
De acordo com a especialista, o crédito deve funcionar como uma ferramenta de crescimento, financiando investimentos capazes de gerar retorno superior ao custo do empréstimo. Quando utilizado apenas para cobrir déficits recorrentes, ele passa a comprometer a sustentabilidade financeira da empresa.
Educação financeira é apontada como fator decisivo
O estudo também destaca que bancos e fintechs têm papel importante na redução da inadimplência ao oferecerem crédito de forma mais orientada, considerando a real capacidade de pagamento das empresas e utilizando ferramentas de acompanhamento financeiro.
Para Rita Carolino, a educação financeira continua sendo um dos principais caminhos para evitar que pequenos negócios entrem em um ciclo de endividamento difícil de reverter.
"O financiamento deve ser encarado como uma estratégia de desenvolvimento, e não como uma solução permanente para problemas de caixa. Planejamento financeiro e crédito consciente são fundamentais para garantir a sustentabilidade das empresas", conclui.
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