Saúde • 11:38h • 03 de junho de 2026
INCA alerta para os riscos de cigarros com sabor e aroma entre jovens
Autoridades da saúde querem norma determinada pelo STF
Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência Brasil | Foto: Arquivo Âncora1
O combate ao tabagismo enfrenta um novo desafio no Brasil: o avanço da indústria da nicotina e de produtos que atraem principalmente adolescentes e jovens. O alerta foi feito por especialistas durante evento em alusão ao Dia Mundial sem Tabaco, celebrado em 31 de maio.
Segundo representantes da área da saúde, o consumo de nicotina tem migrado dos cigarros tradicionais para produtos mais tecnológicos, como cigarros eletrônicos, vapes e pods. Esses dispositivos utilizam aromatizantes, sabores doces, cores e recursos tecnológicos que tornam o uso mais atraente, especialmente entre o público jovem.
A campanha deste ano, com o tema “Desmascarando o apelo – combatendo a dependência de nicotina e tabaco”, destaca justamente as estratégias utilizadas pela indústria para conquistar novos consumidores. A preocupação é que esses produtos criem uma nova geração de dependentes de nicotina.
Dados da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) indicam que cerca de 2,6 milhões de adolescentes entre 13 e 15 anos consomem tabaco nas Américas, enquanto outros 2 milhões utilizam cigarros eletrônicos. No Brasil, estudos apontam que as doenças relacionadas ao tabagismo podem gerar custos de até R$ 153 bilhões por ano.
Especialistas alertam que o tabagismo tem atingido cada vez mais pessoas com menos de 20 anos. Por isso, a prevenção ao primeiro contato com a nicotina é considerada uma das principais estratégias de combate ao problema.
Outro tema debatido foi a regulamentação dos produtos derivados do tabaco. Desde 2012, uma resolução da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proíbe o uso de aditivos que conferem sabores, aromas e outras características que aumentem a atratividade dos produtos. A medida busca dificultar a iniciação ao consumo, especialmente entre jovens.
Apesar disso, a norma continua sendo alvo de questionamentos judiciais por parte da indústria do tabaco. Pesquisadores defendem que há condições para a produção de cigarros sem esses aditivos e afirmam que a resistência do setor está relacionada a interesses comerciais.
Especialistas também reforçam que não existe dispositivo eletrônico para fumar considerado seguro. Além do risco de dependência, o uso da nicotina está associado a doenças cardiovasculares, respiratórias, diabetes e diversos tipos de câncer.
No Brasil, as ações de prevenção e controle do tabagismo são coordenadas pelo Instituto Nacional de Câncer (INCA) e pelo Programa Nacional de Controle do Tabagismo, que promovem iniciativas voltadas à redução do consumo, ao tratamento da dependência e à proteção da população contra os danos causados pelo tabaco e seus derivados.
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