Saúde • 08:02h • 09 de maio de 2026
Inca atualiza diretrizes e amplia lista de cânceres relacionados ao trabalho no Brasil
Nova versão inclui 50 tipos de câncer associados a exposições ocupacionais e busca fortalecer a vigilância e a prevenção no SUS
Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência Brasil | Foto: Arquivo Âncora1
O Instituto Nacional de Câncer (Inca), ligado ao Ministério da Saúde, lançou nesta terça-feira (5) a versão 2026 das Diretrizes para a Vigilância do Câncer Relacionado ao Trabalho. A atualização foi apresentada durante um seminário nacional realizado na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) e marca um avanço na identificação e no monitoramento de fatores de risco nos ambientes profissionais.
Publicadas originalmente em 2012, as diretrizes passaram por revisão para incorporar novos conhecimentos científicos e ampliar o suporte aos profissionais do Sistema Único de Saúde (SUS). Uma das principais mudanças foi a expansão da lista de cânceres relacionados ao trabalho, que passou de 19 para 50 tipos, incluindo novas associações com agentes químicos, físicos e biológicos.
A atualização também considerou a revisão da lista nacional de doenças relacionadas ao trabalho, feita recentemente. Entre as novidades estão a inclusão de ocupações e condições antes não contempladas, como o trabalho noturno e a atividade de bombeiro. O trabalho em horários noturnos, por exemplo, passou a ser associado a cânceres como o de mama, próstata e colorretal.
As diretrizes foram elaboradas para uso prático na rotina dos profissionais de saúde, permitindo identificar possíveis vínculos entre a atividade laboral e o desenvolvimento de câncer por meio do histórico ocupacional dos pacientes. A nova versão foi estruturada de forma mais objetiva, com menos capítulos e inclusão de exemplos práticos para facilitar a aplicação no dia a dia.
Além de orientar o atendimento, o material também pode contribuir para o desenvolvimento de políticas públicas. A identificação de casos em determinadas regiões pode levar à investigação dos fatores de risco presentes nos ambientes de trabalho, como exposição à sílica ou ao amianto, possibilitando ações preventivas.
Segundo especialistas, o reconhecimento desses fatores é essencial, inclusive quando há outros riscos associados, como o tabagismo. A combinação de agentes pode aumentar significativamente a probabilidade de desenvolvimento da doença.
A atualização segue parâmetros internacionais adotados pela Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (Iarc), vinculada à Organização Mundial da Saúde (OMS), e reforça a importância da vigilância para evitar que casos de câncer ocupacional permaneçam invisíveis.
Entre os tipos mais comuns relacionados ao trabalho estão câncer de pele, pulmão, bexiga, além de doenças hematológicas como leucemias e linfomas. O câncer de pele, por exemplo, está fortemente associado à exposição solar e atinge trabalhadores como agricultores, pescadores, profissionais da construção civil e ambulantes.
A nova versão das diretrizes busca fortalecer a atuação dos profissionais de saúde na identificação precoce, no registro dos casos e na implementação de medidas de prevenção, com o objetivo de reduzir a incidência de cânceres evitáveis relacionados ao trabalho.
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