Saúde • 09:06h • 16 de janeiro de 2026
Inchaço não é tudo igual: como diferenciar lipedema e linfedema
Condições são frequentemente confundidas, mas têm causas, sintomas e tratamentos diferentes, o que contribui para atraso no cuidado e subnotificação no Brasil
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Lara Assessoria | Foto: Arquivo/Âncora1
Embora o inchaço e o desconforto nos membros sejam sintomas comuns, lipedema e linfedema são doenças diferentes e exigem diagnósticos precisos e condutas específicas. O alerta é do cirurgião vascular Dr. Saymon Santana, diretor técnico da Clínica Vasculare, com atuação em Imperatriz (MA) e no sul do Pará. Segundo ele, a confusão entre as duas condições é frequente e compromete o tratamento adequado. “Muitas pacientes convivem por anos com sintomas sem saber exatamente o que têm, o que prejudica a qualidade de vida e dificulta a resposta terapêutica”, afirma.
O que diferencia cada condição
O lipedema é marcado pelo acúmulo anormal de gordura, sobretudo em pernas e quadris, poupando os pés. A doença tem forte relação com fatores genéticos e alterações hormonais, afetando quase exclusivamente mulheres, com maior incidência em fases como puberdade, gestação e menopausa. Entre os sinais característicos estão dor à palpação, sensibilidade aumentada e hematomas frequentes, o que ajuda a distingui-lo de obesidade ou retenção de líquidos. “O diagnóstico costuma ser tardio porque esses sinais são subestimados”, explica Santana.
Já o linfedema decorre de falhas no sistema linfático, responsável pela drenagem de líquidos e resíduos do organismo. Quando há comprometimento desse sistema, ocorre acúmulo de linfa nos tecidos, gerando inchaço persistente que pode atingir braços, pernas e os pés. Pode ser congênito ou adquirido, por exemplo após cirurgias, infecções ou traumas. Em estágios avançados, há endurecimento da pele e limitação da mobilidade.
Subnotificação e falta de dados nacionais
Apesar do impacto na saúde, faltam números consolidados no Brasil. Estimativas internacionais indicam que até 11% das mulheres no mundo podem apresentar algum grau de lipedema, percentual possivelmente maior devido à subnotificação. Para o linfedema, a Organização Mundial da Saúde estima que mais de 250 milhões de pessoas convivam com a condição globalmente, com maior concentração em países em desenvolvimento. No país, a ausência de estatísticas oficiais dificulta ações de prevenção, diagnóstico precoce e planejamento de políticas públicas.
Tratamentos e cuidados recomendados
O manejo do lipedema envolve fisioterapia, exercícios de baixo impacto, orientação nutricional e, em casos selecionados, cirurgia. No linfedema, o controle inclui drenagem linfática, meias de compressão e acompanhamento clínico contínuo. Em ambos, o diagnóstico precoce é decisivo para evitar complicações e progressão dos sintomas.
O cirurgião alerta para riscos da automedicação, especialmente o uso de diuréticos sem prescrição, que pode agravar o quadro. “A abordagem deve ser multidisciplinar e personalizada, com foco em reduzir sintomas e preservar a funcionalidade”, reforça.
Diante de sinais persistentes como dor, inchaço e sensação de peso nos membros, a recomendação é procurar avaliação especializada o quanto antes. “Identificar corretamente a condição é o primeiro passo para um tratamento eficaz”, conclui Santana.
Aviso legal
Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução, integral ou parcial, do conteúdo textual e das imagens deste site. Para mais informações sobre licenciamento de conteúdo, entre em contato conosco.
Últimas Notícias
As mais lidas do mês
Política
Lula ou Flávio Bolsonaro? Veja onde consultar propostas, histórico e informações antes de votar
Programas de governo em PDF, registros do Senado, despesas federais e plataformas de checagem permitem comparar os candidatos à Presidência com informações oficiais e documentos públicos