Economia • 18:41h • 12 de julho de 2026
Indústria avança para o interior e mais da metade dos empregos do setor já está fora dos grandes centros
Estudo mostra que cidades médias e regiões ligadas ao agronegócio ganharam espaço em quatro décadas; interior paulista já concentra 52,9% dos postos industriais do estado
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Ecco Assessoria | Foto: Arquivo/Âncora1
A indústria brasileira mudou de endereço nas últimas quatro décadas. Entre 1985 e 2024, fábricas e empregos avançaram para cidades médias e regiões do interior, especialmente em áreas ligadas ao agronegócio e à expansão logística. Estudo do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (IEDI) mostra que 54,4% dos empregos industriais do país já estão no interior, enquanto estados do Centro-Oeste e do Sul ampliaram sua relevância no setor.
A pesquisa “A Indústria no Território: 40 anos de redistribuição regional da indústria de transformação brasileira”, lançada em maio, aponta que cerca de um terço dos empregos industriais estava no interior em 1985. Quatro décadas depois, essa parcela ultrapassou a metade dos postos do setor.
Em São Paulo, a mudança foi ainda mais evidente. A participação do interior paulista nos empregos industriais saltou de 29,2% para 52,9%. Ao mesmo tempo, o peso da indústria no PIB estadual caiu de 38,3%, em 1985, para 18,3%, em 2023, enquanto a participação do setor nos empregos formais recuou de 37,2% para 17,1% até 2024.
Interior ganha espaço no novo mapa das fábricas
Segundo o estudo, congestionamentos, custos elevados de transporte, imóveis caros e salários mais altos contribuíram para reduzir a atratividade das grandes metrópoles. Em sentido oposto, cidades do interior passaram a oferecer infraestrutura logística, universidades, centros de pesquisa, incentivos fiscais e custos operacionais menores.
Para José Roberto Colnaghi, presidente do Conselho de Administração da Colpar Brasil, a expansão do agronegócio também ajudou a abrir novas fronteiras industriais. “O crescimento expressivo do agronegócio nas últimas décadas, aliado às dificuldades logísticas e ao custo elevado nos grandes centros, abriu naturalmente novas fronteiras”, avalia.
Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul foram os únicos estados onde a indústria aumentou sua participação tanto no Produto Interno Bruto (PIB) quanto no emprego estadual durante o período analisado. Em Goiás, o avanço foi de 2,53 pontos percentuais no emprego e 2,23 pontos no Valor Adicionado Bruto (VAB).
Agro e logística impulsionam novas regiões
A força do agronegócio aparece como um dos componentes dessa transformação. Em 2025, as exportações do setor somaram US$ 169,2 bilhões, segundo o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), o equivalente a 48,5% do valor total exportado pelo Brasil.
A região Sul também ampliou sua importância. O território concentra 77,3% do volume de carne de frango enviado pelo país ao exterior, enquanto Paraná e Santa Catarina mantêm participação relevante em segmentos de máquinas, equipamentos, indústria automotiva, eletrônicos e bens de capital.
Apesar da redistribuição, São Paulo continua como o principal polo industrial brasileiro e lidera praticamente todos os setores manufatureiros. O que mudou foi a geografia da expansão: novos investimentos e empregos passaram a encontrar espaço além das grandes capitais.
Para o IEDI, a interiorização ajudou a criar polos de desenvolvimento econômico fora das metrópoles e contribuiu para reduzir desigualdades regionais. Os dados mostram que a indústria não abandonou seus centros tradicionais, mas passou a dividir cada vez mais sua força com cidades do interior.
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