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Saúde • 19:28h • 04 de fevereiro de 2026

Infarto deixa de ser doença de idosos e cresce entre jovens com menos de 45 anos

Casos antes associados a idosos passam a atingir adultos com menos de 45 anos, exigindo mais prevenção e atenção aos sinais

Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da PG1 | Foto: Divulgação

Infarto em jovens cresce e acende alerta para hábitos de vida e diagnóstico precoce
Infarto em jovens cresce e acende alerta para hábitos de vida e diagnóstico precoce

Durante muito tempo, o infarto agudo do miocárdio foi tratado como um evento praticamente restrito a pessoas acima dos 50 anos. No entanto, nas últimas décadas, cardiologistas têm observado um aumento consistente dos casos em adultos jovens, com menos de 45 anos. Embora ainda representem uma parcela menor do total, a tendência preocupa especialistas e aponta para mudanças no perfil de risco cardiovascular da população.

A análise é apresentada pelo médico cardiologista José Knopfholz, que destaca que os mecanismos do infarto em jovens são semelhantes aos observados em faixas etárias mais avançadas, principalmente a obstrução das artérias coronárias por placas de gordura, levando à interrupção do fluxo sanguíneo para o coração. A diferença está no peso maior de fatores evitáveis e comportamentais nesse grupo.

Segundo Knopfholz, tabagismo, uso de drogas ilícitas, especialmente cocaína, estresse intenso e distúrbios hereditários do colesterol aparecem com frequência nos casos mais precoces. Em situações específicas, anomalias congênitas das artérias coronárias ou doenças autoimunes também podem estar envolvidas.

Entre os fatores de risco mais comuns estão histórico familiar de doença cardíaca, colesterol elevado, hipertensão arterial, obesidade, diabetes tipo 2 e sedentarismo. O cardiologista chama atenção ainda para hábitos mais presentes entre jovens afetados, como consumo excessivo de álcool, dietas ricas em gorduras saturadas e o uso de anabolizantes.

A saúde mental surge como um elemento relevante nesse cenário. Quadros de ansiedade, depressão e rotinas de trabalho extenuantes contribuem para níveis elevados de estresse, favorecendo processos inflamatórios e aumentando o risco cardiovascular. “O estresse crônico acelera mecanismos que impactam diretamente o sistema cardiovascular, mesmo em pessoas jovens”, aponta o especialista.

Prevenção começa antes dos sintomas

A principal estratégia para reduzir o risco de infarto em jovens está na prevenção. Isso envolve manter uma alimentação equilibrada, praticar atividade física regularmente, controlar o peso corporal, evitar o tabagismo e o uso de substâncias nocivas. Exames periódicos também são fundamentais, mesmo em indivíduos que se consideram saudáveis, para identificar precocemente alterações como hipertensão, diabetes e dislipidemias.

Jovens com histórico familiar de doenças cardíacas devem ter atenção redobrada e buscar acompanhamento médico especializado. Para Knopfholz, a percepção de risco ainda é baixa nessa faixa etária, o que dificulta a adoção de medidas preventivas.

A educação em saúde é outro ponto central. Muitos jovens não se veem como parte do grupo de risco para doenças cardiovasculares e, por isso, negligenciam cuidados básicos. Campanhas de conscientização em escolas, universidades e ambientes de trabalho podem contribuir para mudanças de comportamento. O uso de tecnologias, como aplicativos de monitoramento de saúde e dispositivos vestíveis, também pode ajudar a engajar esse público.

Reconhecer os sinais salva vidas

Outro desafio está no diagnóstico. Em jovens, os sintomas de infarto podem ser menos intensos ou atípicos quando comparados aos de pessoas mais velhas. Dor no peito, falta de ar, palpitações e mal-estar súbito devem ser levados a sério, independentemente da idade.

Para o cardiologista, é essencial que os serviços de saúde estejam preparados para reconhecer rapidamente esses sinais. O diagnóstico precoce e o atendimento imediato são decisivos para reduzir complicações e aumentar as chances de recuperação.

“O infarto em jovens já é uma realidade. Encarar esse cenário com seriedade, informação e prevenção é fundamental para evitar perdas evitáveis”, conclui José Knopfholz.

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