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Variedades • 19:04h • 11 de setembro de 2026

iPhone de R$ 31 mil chama atenção para uma conta que vai muito além do preço do celular

Economista André Charone explica o conceito de custo de oportunidade e alerta que olhar apenas para o valor da parcela pode esconder quanto do patrimônio está sendo comprometido

Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | via Assessoria | Foto: Arquivo/Âncora1

iPhone de R$ 31 mil: economista explica a conta que muita gente esquece antes de comprar
iPhone de R$ 31 mil: economista explica a conta que muita gente esquece antes de comprar

Um celular de R$ 30.999 pode custar mais do que o valor exibido na loja. O lançamento da versão mais completa do novo iPhone Duo, primeiro modelo dobrável da Apple, colocou o preço do aparelho no centro das atenções no Brasil e abriu espaço para outra discussão: quanto uma compra desse tamanho representa na renda e no patrimônio de quem decide fazê-la.

A reflexão é do economista André Charone, que utiliza o lançamento para explicar um conceito conhecido na economia como custo de oportunidade. Quando uma pessoa destina R$ 31 mil à compra de um smartphone, deixa automaticamente de utilizar aquele mesmo dinheiro para outra finalidade.

O valor permite comparações imediatas. Pode representar uma motocicleta, uma especialização, a formação de uma reserva financeira ou a entrada em outro bem. A questão, segundo Charone, não é estabelecer qual dessas escolhas seria obrigatoriamente melhor, mas considerar aquilo de que o consumidor precisará abrir mão antes de decidir.

Parcela menor não reduz o preço do aparelho

Um dos pontos de atenção está no parcelamento. Quando os R$ 30.999 são apresentados divididos em várias prestações, a percepção sobre o tamanho da compra pode mudar.

Em 12 parcelas sem juros, por exemplo, seriam aproximadamente R$ 2.583 por mês. O preço continuaria sendo de quase R$ 31 mil, embora a decisão passe frequentemente a ser analisada apenas pela pergunta sobre a parcela caber ou não no orçamento mensal.


Para Charone, esse comportamento pode fazer com que o consumidor deixe em segundo plano o patrimônio comprometido pela decisão. Uma prestação que cabe no orçamento não significa, por si só, que aquela seja uma compra financeiramente adequada para determinada pessoa.

Comprar um celular de R$ 31 mil é necessariamente ruim?

Não. A análise não parte da ideia de que produtos caros não devam ser comprados. Educação financeira também envolve reconhecer que o dinheiro pode ser utilizado para conforto, lazer, tecnologia e experiências.

Para uma pessoa com renda e patrimônio elevados, um smartphone de R$ 30.999 pode representar uma despesa administrável e compatível com sua realidade financeira.

O sinal de alerta aparece quando o desejo pelo lançamento exige esvaziar a reserva de emergência, assumir dívidas, comprometer uma parcela elevada da renda ou abandonar objetivos considerados mais importantes. Nessas circunstâncias, o custo financeiro da decisão ultrapassa o preço informado pela fabricante.

Tecnologia também vende novidade e status

Produtos de alto valor não são comprados exclusivamente pelas características técnicas. No mercado de tecnologia, elementos como novidade, status, experiência e pertencimento também podem influenciar a decisão.


Quem procura um lançamento pode estar disposto a pagar não apenas pela câmera, pela tela ou pelo processador, mas também pela experiência de possuir um produto recém-chegado ao mercado.

Isso não torna a decisão necessariamente equivocada. O ponto defendido por Charone é que o consumidor compreenda quanto aquele desejo custa dentro da própria realidade, em vez de considerar somente a possibilidade imediata de pagar.

Três perguntas antes de gastar R$ 30.999

Antes de uma compra de alto valor, Charone propõe três questões: quanto esse gasto representa da renda, quanto representa do patrimônio e do que será necessário abrir mão para realizá-lo.

As respostas podem ser completamente diferentes para duas pessoas interessadas exatamente no mesmo aparelho. Para uma, R$ 30.999 podem representar uma pequena parcela do patrimônio disponível. Para outra, o mesmo produto pode consumir economias acumuladas durante meses ou anos.

É justamente aí que entra o custo de oportunidade. O preço do iPhone está definido na loja, mas o impacto financeiro da compra depende do que cada consumidor precisará deixar para depois ao destinar R$ 30.999 ao aparelho.

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