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Variedades • 11:51h • 06 de junho de 2026

Jogar muitas horas não significa dependência, aponta estudo da Unesp

Pesquisa com quase 300 brasileiros mostra que impulsividade e comportamento têm mais peso no risco de transtorno do jogo do que o tempo de tela sozinho

Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Unesp | Foto: Arquivo/Âncora1

Estudo da Unesp mostra que tempo de tela sozinho não define vício em games
Estudo da Unesp mostra que tempo de tela sozinho não define vício em games

Videogames fazem parte da rotina de milhões de brasileiros. Seja no celular, computador ou console, os jogos digitais se tornaram uma das formas de entretenimento mais populares do país. Mas uma dúvida continua frequente entre pais, familiares e até entre os próprios jogadores: passar muitas horas jogando é suficiente para caracterizar um quadro de dependência?

Um estudo realizado por pesquisadores do Departamento de Psicologia da Unesp, campus de Bauru, indica que a resposta é não. Segundo os resultados, o tempo dedicado aos games, isoladamente, não permite identificar o chamado Transtorno do Jogo, condição reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS). A pesquisa mostra que fatores como impulsividade e determinados comportamentos psicológicos têm papel mais relevante na identificação do problema.

O trabalho foi publicado na revista científica Trends in Psychology e avaliou 290 brasileiros com idades entre 18 e 50 anos. Os participantes responderam questionários sobre hábitos de jogo, perfil comportamental e também participaram de testes voltados à avaliação da impulsividade.

O que diferencia o hobby do transtorno

O Transtorno do Jogo é reconhecido internacionalmente como um problema de saúde mental. Entre os sinais observados estão a dificuldade de controlar o tempo dedicado aos jogos, a prioridade excessiva dada à atividade em relação a outras áreas da vida e a continuidade do comportamento mesmo diante de prejuízos pessoais, sociais ou profissionais.

Por isso, especialistas alertam que o diagnóstico não pode ser feito apenas observando quantas horas uma pessoa passa diante da tela.

Na pesquisa, muitos participantes relataram jogar diariamente. O computador apareceu como a plataforma preferida da maioria dos entrevistados, enquanto os jogos de RPG lideraram entre os gêneros favoritos. Algumas sessões chegavam a durar várias horas, mas isso, por si só, não indicava a presença de um transtorno.

Impulsividade chamou atenção dos pesquisadores

Uma das etapas mais importantes do estudo avaliou como os participantes tomavam decisões envolvendo recompensas imediatas ou futuras.

Os voluntários precisavam escolher entre receber uma recompensa menor naquele momento ou esperar para obter um benefício maior posteriormente. O teste foi aplicado tanto com valores em dinheiro quanto com tempo de jogo.

Os resultados mostraram um comportamento interessante: quando a recompensa envolvia videogames, os participantes tendiam a agir de forma mais impulsiva do que quando a escolha envolvia dinheiro.

Segundo os pesquisadores, essa diferença ajuda a compreender por que algumas pessoas desenvolvem uma relação mais difícil de controlar com os jogos digitais.

Mais de 17 horas por semana acendem alerta

O estudo identificou que níveis mais elevados de impulsividade apareceram principalmente entre participantes que costumavam jogar mais de 17 horas por semana.

Ainda assim, os autores reforçam que esse dado não significa que qualquer pessoa que ultrapasse esse tempo desenvolva dependência. O resultado funciona apenas como um indicativo de atenção dentro de um conjunto mais amplo de fatores psicológicos e comportamentais.

Entre os participantes avaliados, alguns relataram dedicar até 90 horas semanais aos games, mostrando como os hábitos podem variar significativamente entre os jogadores.

Debate sobre saúde mental ganha espaço

Com o crescimento da indústria dos jogos eletrônicos e o aumento do número de jogadores em todas as faixas etárias, especialistas defendem que o debate sobre saúde mental no ambiente digital se torne cada vez mais presente.

A principal conclusão da pesquisa é que a relação entre videogames e dependência é mais complexa do que parece. Em vez de focar apenas no relógio, é necessário observar mudanças de comportamento, impactos na rotina, controle dos impulsos e prejuízos provocados pelo hábito.

Para os pesquisadores, compreender esses fatores pode ajudar profissionais de saúde, familiares e os próprios jogadores a diferenciar uma atividade recreativa saudável de situações que realmente exigem acompanhamento especializado.

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