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Saúde • 09:47h • 28 de agosto de 2026

Jovens de 16 a 24 anos lideram tabagismo no Brasil e primeiro contato ocorre, em média, aos 16

Pesquisa aponta que 19% dos entrevistados nessa faixa etária fumam cigarros comuns ou eletrônicos e revela que um em cada três brasileiros convive frequentemente com fumantes

Da Redação | Com informações da EBC | Foto: Âncora1

Um em cada cinco jovens de 16 a 24 anos fuma cigarro comum ou eletrônico, aponta pesquisa
Um em cada cinco jovens de 16 a 24 anos fuma cigarro comum ou eletrônico, aponta pesquisa

Os jovens de 16 a 24 anos apresentam a maior incidência de tabagismo entre as faixas etárias pesquisadas no Brasil, segundo levantamento do A.C.Camargo Cancer Center em parceria com a Nexus. Entre eles, 19% declararam fumar cigarros convencionais ou eletrônicos, percentual superior à média nacional de 17%. O estudo ouviu mais de 2 mil pessoas em todo o país e chama atenção também para a iniciação precoce, já que o primeiro contato com o cigarro ocorre, em média, aos 16 anos.

O resultado coloca os mais jovens à frente inclusive das faixas etárias tradicionalmente mais associadas ao consumo de cigarro. Entre pessoas de 41 a 59 anos, 17% se declararam fumantes, enquanto o índice é de 16% entre aqueles com mais de 60 anos. A menor proporção aparece entre os entrevistados de 25 a 40 anos, com 15%.

A diferença entre os extremos, portanto, chega a quatro pontos percentuais: enquanto 19% dos jovens de 16 a 24 anos fumam, a proporção cai para 15% entre aqueles de 25 a 40 anos. Para Helano Freitas, líder do Centro de Referência de Tumores de Pulmão e Tórax do A.C.Camargo, a incidência entre adolescentes e jovens adultos merece atenção diante do risco de a iniciação evoluir para dependência e se prolongar pelas etapas seguintes da vida.

Um em cada três convive frequentemente com fumantes

O levantamento mostra que a exposição ao tabaco ultrapassa o grupo que fuma diretamente. Cerca de 33% dos brasileiros compartilham frequentemente ambientes domésticos ou profissionais com fumantes, o equivalente a aproximadamente um em cada três entrevistados.

A exposição passiva também representa risco à saúde. A inalação da fumaça aumenta as chances de desenvolvimento de câncer de pulmão inclusive entre pessoas que nunca fumaram, ampliando o impacto do tabagismo para quem divide ambientes com usuários de cigarros.

Quando o levantamento observa quem conseguiu abandonar o hábito, a distribuição muda significativamente. Entre pessoas com mais de 60 anos, 32% são ex-fumantes, maior percentual entre todas as idades. A proporção cai para 15% entre pessoas de 41 a 59 anos, 10% na faixa dos 25 aos 40 e apenas 8% entre os jovens de 16 a 24 anos.

Sul e Sudeste concentram os maiores índices

As diferenças também aparecem quando os dados são divididos regionalmente. O Sul lidera o consumo de cigarros, com 22%, cinco pontos percentuais acima da média nacional. O Sudeste aparece em seguida, com 19%. Nordeste e o agrupamento Norte/Centro-Oeste registram 13% cada.

Fatores socioeconômicos acompanham essas diferenças. Entre pessoas com renda de até um salário mínimo, 19% se declararam fumantes. Na análise por escolaridade, o maior percentual aparece entre quem concluiu apenas o ensino fundamental, grupo no qual o tabagismo chega a 21%.

O estudo também encontrou associação entre o cigarro e outros comportamentos considerados prejudiciais à saúde. Entre os fumantes, 84% relataram manter até quatro desses hábitos no cotidiano, com destaque para sedentarismo e consumo excessivo de frituras e alimentos ultraprocessados.

Fumantes avaliam a própria saúde de forma positiva

Um dos resultados que mais chama atenção está na percepção sobre a própria condição de saúde. Entre os fumantes, 63% classificaram a saúde como “ótima” ou “boa”. Entre pessoas que nunca fumaram, o percentual foi de 61%, embora a diferença entre os dois grupos esteja dentro da margem de erro da pesquisa.

Outro contraste aparece entre aqueles que afirmaram não manter nenhum hábito prejudicial à saúde. O percentual chega a 18% entre pessoas que nunca fumaram, exatamente o dobro dos 9% encontrados entre fumantes.

Já os ex-fumantes lideram o grupo que relata apenas um hábito prejudicial, com 44%, além de apresentarem taxas menores de múltiplos comportamentos de risco. Os resultados reforçam que o tabagismo não se restringe às gerações mais velhas e mostram que a maior incidência encontrada pela pesquisa está justamente entre adolescentes e jovens adultos.

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