Saúde • 09:39h • 03 de julho de 2026
Laser alivia dores da amamentação e evita desmame precoce de bebês, aponta estudo da USP
Aplicação de laser de baixa intensidade associada à orientação sobre amamentação acelera cicatrização dos mamilos e reduz dor durante aleitamento
Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência SP | Foto: Arquivo Âncora1
Um estudo realizado por pesquisadores da USP em parceria com a Texas A&M University, dos Estados Unidos, apontou resultados promissores para o tratamento de dores e lesões nos mamilos durante a amamentação. A pesquisa mostrou que a combinação da terapia com laser de baixa intensidade e orientação profissional sobre técnicas corretas de aleitamento acelera a cicatrização das lesões e reduz significativamente a dor.
O trabalho foi desenvolvido entre setembro de 2023 e fevereiro de 2024 na Maternidade Dona Francisca Cintra Silva, da Santa Casa de São Carlos, com a participação de 16 mulheres no período pós-parto que apresentavam fissuras mamilares e dor ao amamentar. As participantes foram divididas em dois grupos: um recebeu apenas orientações sobre amamentação e cuidados com os mamilos, enquanto o outro passou pelo mesmo acompanhamento, associado ao tratamento com laser de baixa intensidade.
O equipamento utilizado conta com um adaptador desenvolvido no Instituto de Física de São Carlos (IFSC), capaz de ampliar a área de aplicação da luz e distribuí-la de forma uniforme sobre o mamilo e a aréola. A tecnologia evita o contato direto com a pele lesionada, reduzindo o risco de desconforto e aquecimento excessivo durante o procedimento.
As fissuras mamilares estão entre as principais causas do desmame precoce e costumam ser provocadas por fatores como a pega incorreta do bebê, posicionamento inadequado durante a amamentação e falta de orientação preventiva. Além da dor intensa, essas lesões podem comprometer a continuidade do aleitamento materno, considerado fundamental para a saúde da mãe e do bebê.
Os resultados mostraram melhora nos dois grupos avaliados, mas a recuperação foi mais rápida entre as mulheres tratadas com o laser. Nesse grupo, a área das lesões foi reduzida em cerca de 45,6%, enquanto entre aquelas que receberam apenas orientações a redução foi de 25,8%. A diminuição da dor também foi mais expressiva nas participantes submetidas à terapia.
Outro benefício observado foi o alívio quase imediato da dor após as aplicações, permitindo que muitas mulheres retomassem a amamentação com mais conforto e segurança. As participantes também relataram menor desconforto durante as mamadas, redução do medo de amamentar e maior tranquilidade emocional no pós-parto.
Além de acelerar a cicatrização das fissuras e reduzir o risco de infecções, o tratamento se mostrou não invasivo, indolor e sem efeitos colaterais relevantes, características que favorecem sua adoção em maternidades e serviços de apoio à amamentação.
Segundo os pesquisadores, a fotobiomodulação promovida pelo laser estimula processos celulares ligados à cicatrização, diminui a inflamação e alivia a dor ao aumentar a produção de energia nas células e acelerar a regeneração dos tecidos lesionados.
Os autores destacam ainda que os benefícios vão além dos aspectos físicos. Ao reduzir a dor e facilitar a continuidade do aleitamento materno, o tratamento fortalece o vínculo entre mãe e bebê e diminui a frustração frequentemente enfrentada por mulheres que encontram dificuldades para amamentar.
A pesquisa conclui que a terapia com laser de baixa intensidade pode se tornar uma importante ferramenta de apoio aos profissionais de saúde, contribuindo para a manutenção da amamentação e para a melhoria da qualidade de vida das mulheres no período pós-parto.
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