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Variedades • 16:40h • 09 de maio de 2026

Álcool em gel substitui água e sabão? Especialista esclarece mitos sobre higienização das mãos

Hábito simples continua sendo uma das medidas mais eficazes para evitar transmissão de vírus e bactérias no dia a dia

Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da CW Assessoria | Foto: Arquivo/Âncora1

Erros simples na lavagem das mãos podem reduzir proteção contra vírus e bactérias
Erros simples na lavagem das mãos podem reduzir proteção contra vírus e bactérias

A higienização correta das mãos segue entre as medidas mais importantes para prevenir doenças infecciosas, mas ainda gera dúvidas comuns no cotidiano. Questões como o uso do álcool em gel, o tempo ideal de limpeza e até o uso de acessórios durante a higienização fazem parte dos erros mais frequentes observados por profissionais da saúde.

O tema ganhou destaque no Dia Mundial da Higienização das Mãos, celebrado em 5 de maio e instituído pela Organização Mundial da Saúde (OMS) justamente para reforçar a importância desse cuidado simples, mas essencial tanto em ambientes hospitalares quanto na rotina diária.

Segundo o infectologista Paulo Antonio Friggi de Carvalho, do Hospital Estadual de Franco da Rocha, unidade da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo gerenciada pelo CEJAM, muitas pessoas ainda acreditam em práticas que reduzem a eficácia da limpeza das mãos. “O hábito parece simples, mas existe uma técnica correta. Pequenos erros acabam comprometendo a eliminação de vírus e bactérias”, explica o especialista.

Álcool em gel ajuda, mas não resolve tudo

Um dos mitos mais comuns envolve o uso do álcool em gel como substituto completo da lavagem tradicional com água e sabão.

Segundo o infectologista, o álcool 70% é eficaz em diversas situações, principalmente quando não há sujeira visível nas mãos, mas não elimina a necessidade da lavagem convencional em alguns momentos específicos. “Após usar o banheiro, antes de preparar alimentos ou quando existe sujeira aparente, a água e o sabão continuam sendo indispensáveis”, afirma.

O especialista explica que a lavagem remove microrganismos e resíduos de forma mais completa, especialmente em situações que exigem maior descontaminação.


Tempo da limpeza também faz diferença

Outro erro frequente está relacionado ao tempo dedicado à higienização. Segundo o médico, esfregar rapidamente as mãos por poucos segundos não garante proteção adequada.

A recomendação é que a lavagem com água e sabão dure entre 40 e 60 segundos. Já a aplicação do álcool em gel deve levar de 20 a 30 segundos para atingir todas as áreas necessárias. “É importante limpar palmas, dorso das mãos, espaços entre os dedos, unhas e punhos. O tempo correto ajuda justamente a garantir que toda a superfície seja higienizada”, explica.

Relógios, anéis e pulseiras atrapalham a limpeza

O uso de acessórios durante a higienização também interfere na eficácia do processo. Segundo o especialista, itens como anéis, pulseiras e relógios criam áreas onde sujeira e microrganismos podem permanecer acumulados. “A recomendação é retirar esses objetos antes da higienização, especialmente em ambientes hospitalares ou durante manipulação de alimentos”, orienta.

O infectologista também alerta que o uso de luvas não elimina a necessidade da limpeza das mãos. Isso porque as próprias luvas podem ser contaminadas durante o uso ou na retirada. “As mãos devem ser higienizadas antes de colocar as luvas e logo após retirá-las”, reforça.

Detergente pode ser usado em emergência

Em situações excepcionais, produtos como detergente podem auxiliar na limpeza quando não houver sabonete disponível, embora não sejam considerados os mais adequados para uso frequente na pele. “Eles ajudam a remover sujeiras, mas podem causar irritações e ressecamento. Sempre que possível, o ideal é utilizar sabão ou sabonete apropriado”, explica.

Segundo o especialista, a higienização frequente continua sendo uma das formas mais eficientes e acessíveis de interromper a transmissão de doenças infecciosas. “A higienização das mãos vai muito além do cuidado individual. É uma medida coletiva, com impacto direto na saúde pública e na prevenção de infecções”, conclui.

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