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Saúde • 09:00h • 03 de junho de 2026

Álcool ou drogas estão presentes em 53% das mortes violentas no Brasil, aponta estudo da USP

Pesquisadores da USP analisaram amostras de 3.577 vítimas de diferentes regiões do país; 90% eram homens, 56% tinham 30 anos ou mais e 67% morreram por homicídio

Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência SP | Foto: Arquivo Âncora1

O álcool foi a droga mais prevalente entre as vítimas de acidentes de trânsito
O álcool foi a droga mais prevalente entre as vítimas de acidentes de trânsito

Estudo realizado por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) revelou que mais da metade das vítimas de mortes violentas em quatro capitais brasileiras apresentava álcool ou drogas no organismo no momento da morte. A pesquisa analisou 3.577 casos registrados em Belém, Recife, Vitória e Curitiba e constatou que 53% das vítimas tinham consumido ao menos uma substância psicoativa.

O trabalho buscou compreender a relação entre o uso de álcool, drogas e medicamentos psicoativos e as mortes por causas externas no Brasil. Para isso, foram realizadas análises toxicológicas padronizadas em amostras coletadas durante necropsias entre 2022 e 2024.

O perfil das vítimas mostrou predominância masculina: cerca de 90% eram homens. Além disso, mais da metade tinha 30 anos ou mais, e os homicídios representaram a maior parte dos casos analisados, correspondendo a 67% das mortes. Acidentes de trânsito responderam por 15% dos registros, enquanto os suicídios representaram 9%.

As substâncias mais encontradas foram cocaína, presente em 30% dos casos, seguida pelo álcool, detectado em 28% das vítimas. Benzodiazepínicos apareceram em 7% das análises e a cannabis em 2%.

Drogas, álcool e diferentes tipos de violência

Os pesquisadores observaram padrões distintos conforme a causa da morte. A cocaína foi a substância mais frequentemente encontrada em vítimas de homicídio, enquanto o álcool predominou nos casos de acidentes de trânsito. Já os benzodiazepínicos apareceram com mais frequência entre vítimas de suicídio.

Apesar dos resultados, os autores destacam que o estudo não permite estabelecer uma relação direta de causa e efeito entre o consumo das substâncias e a ocorrência das mortes. No entanto, os dados apontam para sinais importantes de risco e ajudam a compreender fatores associados à violência.

A análise também mostrou que cerca de 85% dos homicídios ocorreram por ferimentos provocados por armas de fogo. Segundo os pesquisadores, o dado evidencia o alto grau de letalidade da violência no país.

Outro aspecto destacado pelo estudo é a diferença entre as capitais analisadas. Em Recife, o álcool apareceu com mais frequência entre as mortes violentas. Em Belém e Vitória, houve maior presença de drogas ilícitas, enquanto em Curitiba o álcool foi mais predominante do que as drogas ilegais.

Para os autores, essas diferenças demonstram a necessidade de políticas públicas adaptadas à realidade de cada região. Eles defendem que estratégias voltadas à saúde pública, prevenção e redução de danos podem ser mais eficazes para enfrentar o problema do que abordagens exclusivamente repressivas.

A pesquisa foi conduzida por especialistas da Faculdade de Ciências Farmacêuticas e da Faculdade de Medicina da USP e contribui para ampliar o conhecimento sobre a influência do consumo de substâncias psicoativas nos diferentes tipos de mortes violentas registradas no país.

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